Crianças com deficiências ,motoras ou neurológicas , associadas a síndromes genéticas ou não , sofrem com o preconceito velado: o de seus próprios pais.

Como pediatra já realizei diagnósticos de crianças autistas , com síndrome de Down , paralisia cerebral e quase sempre enfrentei a mesma situação :negação.

A morte do filho ideal , aquele filho desejado e perfeito , acontece ao diagnóstico da deficiência .As primeiras dificuldades vão surgindo , mas os pais têm dificuldade em aceitar.A culpa é da escola , dos coleguinhas da classe e invariavelmente ,a culpa é do médico . O diagnóstico está incorreto.

Percorrem especialistas , fazem exames , justificam atrasos de fala ou motores com histórias de familiares ( “o seu tio era assim , também demorou para falar”).

O luto da criança ideal pode desencadear duas reações : lutar e enfrentar ou permanecer em negação.

Os pais que aceitam a nova condição ,procuram desenvolver seu filho no seu potencial máximo, reorganizando a família , melhorando a qualidade de vida de todos.

Permanecer em negação leva ao outro lado da história . Perde- se um tempo valioso de aprendizado , período no qual o cérebro tem uma enorme capacidade de se reorganizar e driblar algumas deficiências. Não haverá cura , mas a criança é estimulada e recebe atenção diferenciada para completar o seu desenvolvimento.

Se o seu filho não andou na idade certa ou se ele tem atraso de fala e despertou a atenção da escola ou do médico , faça uma avaliação , peça uma segunda opinião se necessário , mas não feche os olhos ao problema. Não deixe seu filho sem a atenção adequada.

Os pais devem entender que este não é o final da história , mas o começo de uma jornada.Procurar explicações e desculpas não vão ajudar em nada . O problema irá se tornar maior .

Uma criança deficiente que possui os estímulos adequados como convívio social e participa de atividades escolares é mais feliz e evolui , pois irá se sentir amada.

Leve- a a festinhas , passeios no shopping ,brinque , envolva com outras crianças , traga os amigos em casa . Situações ruins irão acontecer , o preconceito irá aparecer , mas não será daqueles que amamos .Proporcione o convívio social , deixe – a rodeada de pessoas queridas.

O pior preconceito é aquele que vem da sua própria família. É negar o tratamento e o desenvolvimento da criança como ser humano.

Fica a dica.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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