Sim, isso mesmo , transplante de fezes . Esse é um método terapêutico que vem dando ótimos resultados para algumas doenças . Vamos saber mais?

Chamado cientificamente de transplante de microbiota fecal ( TMF) , a técnica consiste em inserir fezes de uma pessoa saudável no intestino de um paciente com um problema intestinal por meio de um tubo ou através de uma cápsula via oral (pelo nariz ou boca) ou pelo ânus .

O transplante fecal já é feito no Brasil e tem sido utilizado para tratamento de uma diarréia resistente a antibióticos, provocado por uma bactéria chamada Clostridium dificille.Esta bactéria está naturalmente presente na flora intestinal de cerca de 3% dos adultos e 66% das crianças e não causa doença em pessoas saudáveis.

Crianças ou adultos que utilizam uma grande quantidade de antibióticos provocam a morte de bactérias ” boas ” do intestino , propiciando a proliferação de bactérias causadoras de doenças , como o Clostridium. Em condições favoráveis , o agente infeccioso leva a um quadro clínico de febre e diarréia intensa , altamente debilitante e grave em pacientes hospitalizados.

Em casos graves , a resposta do transplante de fezes é muito mais rápida e eficaz do que o uso de antibióticos para eliminar a bactéria. Funciona em 90%, porque o material transferido contém uma microbiota saudável, que recoloniza a região e impede a proliferação da invasora, sem efeitos colaterais .

Como é feito?

Primeiro passo: doador de fezes é sempre compatível – basta ser saudável e não ter tomado antibióticos há pelo menos três meses. No Brasil, utiliza-se uma mistura de dois doadores para obter uma microbiota de maior qualidade.

Segundo passo:O doador faz cocô em casa ou no hospital. O material é guardado num potinho plástico e deve ser usado em até seis horas. No hospital, é misturado a soro fisiológico em um liquidificador. Cada 500 ml de soro requer de 50 a 100 g de fezes.

Terceiro passo: Há quatro maneiras de fazer a infusão das fezes no tubo digestivo. Duas delas são por via superior, utilizando uma sonda nasogástrica (que entra pela cavidade nasal) ou um endoscópio (pela boca). Os outros métodos são pelo ânus com uma sonda ou através de sonda .

Quarto passo: O procedimento todo dura no máximo 15 minutos e o paciente pode ser sedado . Não se sente nada além dos efeitos comuns de uma endoscopia ou colonoscopia.

Existem estudos inclusive para obesidade…

A equipe do Hospital Geral de Massachusetts está avaliando essa mudança de microbioma do intestino como tratamento de obesidade , administrando as bactérias de voluntários magros a pacientes obesos. Como? Eles vão criar cápsulas a partir do cocô de indivíduos em magros que serão engolidas por obesos. Na teoria, os microorganismos do bem vão habitar o sistema digestivo dos voluntários rechonchudos, ajudando-os a perder peso.

Um das explicações para o ganho de peso está relacionada a flora intestinal alterada, que proporciona um desequilíbrio metabólico, alterando a absorção de substâncias pelo intestino , levando a um maior acúmulo de gorduras.

“É importante ressaltar que as alterações na flora bacteriana de indivíduos obesos parecem estar muito relacionadas a um estilo de vida caracterizado por uma dieta inadequada, sedentarismo e um ambiente familiar conivente”, acrescenta Henrique Fillmann , presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).

… e tem até banco de fezes

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é um dos primeiros no Brasil a criar um Centro de Transplante de Microbiota Fecal. Além de realizar os transplantes, o local também é precursor por manter um banco de fezes.

“Até o momento, em nosso país, há poucos relatos de transplante fecal. Apenas um estudo foi publicado em 2015, descrevendo a experiência de 12 pacientes submetidos ao transplante no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Há registros no Hospital Vera Cruz, em Campinas, e em uma clínica em São José do Rio Preto (SP). No entanto, todos os casos foram isolados e de forma experimental”, afirmou o chefe do IAG e coordenador do Banco de Tumores e Tecidos do mesmo instituto, Luiz Gonzaga Vaz Coelho.

Em bancos de fezes americanos , os doadores recebem dinheiro pelas fezes, mas não pense que é tão fácil assim: apenas 2,8% dos candidatos conseguem passar pelo processo rigoroso da instituição que só aceita fezes de pessoas muito saudáveis, depois de feita uma bateria de exames.

Vencido o preconceito do tratamento , os tratamentos com antibióticos para infecções intestinais de pacientes hospitalizados têm uma taxa de sucesso de apenas 40% a 50% . Já para os pacientes com o transplante , a taxa chega a atingir 90% de sucesso , segundo dados clínicos do médico Sahil Khanna, da clínica Mayo nos Estados Unidos.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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