Você teve a notícia de que irá ser mãe e já começa um furacão de sentimentos na sua cabeça : amor , medo e a maldita da culpa. Culpa por ter tomado aquele remédio ( será que fez mal ao bebê?) , não ter se alimentado direito ( ser que meu bebê está crescendo e desenvolvendo bem?) e assim por diante.

A culpa é democrática : afeta quem trabalha , a dona de casa , a mãe de primeira viagem ou aquela que foi mãe mais tarde. Não importa a idade , se você é solteira ou casada , todas sofremos com essa ” TPM da culpa “. Ela pode ir embora , mas em alguns dias ela volta com força total.

Culpa por ir trabalhar

Assim que meu primeiro filho nasceu eu voltei a trabalhar em 15 dias , pois afinal eu não poderia abandonar meu consultório por 6 meses ! E logo vinha aquele sentimento enorme de culpa por ter deixado um recém nascido em casa , aos cuidados de outra pessoa .

Confesso que me senti livre também . Só quem passa por isso vai entender . Chega uma hora que eu me sentia uma “extensão” do bebê . Não existia mais a Fernanda , somente a mãe do Daniel. Você anda com aquelas roupas largas da gravidez , de sapato baixo , vazando leite e sem tempo para dar uma arrumada no cabelo e com atenção integral aquele pequenino lindo , mas que não dorme nunca! Socorro!

E, como mães são seres muito complexos, é possível até ter culpa de não sentir culpa. Muitas mães confessam gostar de passar um tempinho longe da criança, levando uma vida de adulto, mas depois se sentem culpadas por sentir esse prazer. Não dá para entender não é ?

Culpa por não amamentar

Na minha primeira gravidez eu não pude amamentar . Trabalhava em um hospital e acredite , não fui liberada do trabalho pelos colegas de profissão , e tive que cobrir uma escala de plantão.

Para quem não sabe , você tem que ficar disponível e não dá para cuidar do bebê . Por isso meu filho foi alimentado na mamadeira , já que eu trabalhava no hospital de noite e dia , pelo menos 2 vezes na semana , sem horário fixo. Doeu , doeu mesmo . Afinal para quem prega a amamentação e sabe dos benefícios , foi bem difícil para mim. E sei que muitas mães passaram por isso também.

Meu filho sobreviveu e eu também. Cresceu forte e saudável ,mas meu coração ficou marcado.

Culpa por não fazer uma comida fresquinha

É muito difícil ser aquela supermãe que mantém a casa arrumada, deixar todos felizes, trazer dinheiro para casa e ainda proporciona uma alimentação fresca e natural para a família.

Corria todo dia para fazer a papinha , mas depois de um tempo começou a ficar muito difícil e acabei delegando a outros a tarefa de fazer e alimentar o meu bebê . E aí doeu de novo. Bateu a culpa , de novo.

Cerca de 50% das mães já recorreu a um fast food para quebrar um galho na correria do dia a dia .

Culpa por perder a paciência

Você trabalha , cuida da casa , filhos e não dorme . Não come . Não se cuida. Tudo isso vai se acumulando até que um dia você explode.

Quando a minha filha nasceu , a segundinha , meu marido tomava conta do maior e eu da pequena . Trabalhava nos plantões ( de novo meus colegas não me liberaram – não existe licença maternidade para pediatra gente!) e quase não dormia cuidando do bebê .

Comecei a ter enxaqueca , diária , e um dia , enquanto minha filha chorava , perdi a paciência e a joguei na cama . Que horrível não é mesmo ? Sei que você já está me julgando e imagina o quanto eu me julgo , até hoje .

Naquele dia ganhei mais uma marquinha no meu coração.

Ninguém se sente bem em gritar com os filhos. Na verdade, a pesquisa de Pflock e Renner, do livro “Mommy guilt”, descobriu que perder a calma é a causa número um de culpa entre as mães.

Culpa por não dar tudo do bom e do melhor

Como assim? Médico ganha bem !

O problema é que você sempre quer oferecer o melhor : melhor escola , melhor quarto , brinquedos , roupas , festa de aniversário . E olha que tem tanta festinha com mega produção de fazer inveja em muito casamento e não dá para deixar tão simples como você queria . Ou dá?

A questão é que muitas das coisas que nós consideramos “necessárias” não são. O que as crianças realmente precisam é de amor ,não uma nova atividade cara ou o brinquedo recém- lançado.

Vocês podem ver que toda mãe vive se culpando pelos mais variados motivos . Estes 5 acima são os mais frequentes , mas é claro que ainda podemos colocar muitos itens nesta lista .

Movimento Mãe também é gente !

Li numa revista e adorei a frase : Mãe também é gente . O movimento prega a libertação desse modelo ideal de super mãe que a sociedade cobra de nós . Não precisamos ser mãe em tempo integral . Não precisamos nos sentir como uma bruxa por querer reservar um dia ou um tempo para nós e ter mil braços ou uma super força e ficar dias seguidos sem dormir mantendo o bom humor.

Mãe que se ama oferece o melhor de si aos seus filhos . Seja menos crítica e aproveite mais a vida , pois aos olhos dos nossos filhos ,somos únicas.

Essa é uma parte da minha história e das minhas marcas compartilhada com vocês . Feliz dia das mães!

Anúncios

Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s