Um estudo publicado recentemente no Journal of Allergy and Clinical Immunology mostrou que 3,6% dos americanos apresenta alergias alimentares – número inferior ao de pesquisas anteriores. No Brasil, a estimativa é que 7% da população tenha alguma alergia alimentar, segundo a Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

Por que meu filho tornou-se alérgico?

O nosso sistema imune é programado para combater qualquer substância estranha que invada nosso corpo, porém, há uma certa tolerância quando essas substâncias entram pelo sistema gastrointestinal. Um paciente alérgico a um determinado alimento possui, na verdade, um sistema imunológico que reage desproporcionalmente à chegada de uma determinada proteína, achando que a mesma é um agente invasor perigoso.

Pais que são alérgicos tem 75% de probabilidade do filho também ser alérgico. Além da predisposição genética, alguns fatores também podem desencadear as alergias alimentares : supõe-se que se deva a mudanças nos hábitos alimentares, dietas repetitivas ou muito restritivas, menor contato com a natureza e maior ingestão de alimentos industrializados.

Alguns estudos associam a maior frequência de alergias em crianças que vivem em ambientes muito ” esterilizados”. O nascimento por parto normal , aleitamento materno , pouco uso de antibióticos e brincar com animais e na terra proporcionam uma microbiota na criança que a protege e desenvolve o sistema imunológico , reduzindo a frequência de alergias alimentares e respiratórias.

Diga não às dietas restritivas

Para alguns pais , a percepção da alergia alimentar é maior do que os estudos apontam. Um estudo britânico analisou 3500 crianças e 28% dos pais referiam algum tipo de reação a alimentos . Mesmo sem comprovação da alergia , os pais retiram o alimento , restringindo a dieta das crianças , o que não é benéfico.

Um exemplo disto é o glúten. A alimentação hoje é baseada em refeições rápidas e com alimentos processados, o que levou a uma maior exposição a grandes quantidades de glúten. O problema não é o glúten, mas sim os erros alimentares.

Se você começa a dar excesso de glúten ao organismo, ou seja, muito carboidrato e pouca fibra, passa a alimentar bactérias que podem fermentar mais e produzir gases, cólicas, sintomas de intolerância. Então a pessoa começa a fazer dieta e melhora, passando a incriminar o glúten. Mas ele não é o problema.

Entre as crianças, apenas um pequeno grupo de alimentos é responsável por 90% das alergias: leite, ovo, trigo, soja, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar.

A culpa é do corante ?

As reações adversas aos conservantes, corantes e aditivos alimentares são raras, mas não devem ser menosprezadas. O corante artificial tartrazina (FD&C amarelo#5), sulfitos e glutamato monossódico são relatados como causadores de reações. A tartrazina pode ser encontrada nos sucos artificiais, gelatinas e balas coloridas enquanto o glutamato monossódico pode estar presente nos alimentos salgados como temperos (caldos de carne ou galinha). Os sulfitos são usados como preservativos em alimentos (frutas desidratadas, vinhos, sucos industrializados).

Intolerância não é a mesma coisa que alergia

Na alergia alimentar o sistema de defesa encara o alimento como um “inimigo” ao organismo e provoca uma série de efeitos ( tosse, espirros , vermelhidão na pele , cólica , diarréia ).

Já a intolerância , existe uma carência da enzima que digere a proteína do leite , a lactase . Os sintomas são restritos ao trato gastrointestinal ( cólicas e diarréias). Não tem cura , mas pode ser amenizada através do uso da enzima . Há várias medicações por via oral nas farmácias , devendo ser feito o uso antes ou logo após o consumo de leite e derivados.

Como é feito o diagnóstico?

O teste cutâneo é um método diagnóstico seguro e geralmente indolor. Deve ser realizado pelo médico especialista que após história clínica e exame físico, determinará quais substâncias podem ter importância no quadro clínico e, portanto, deverão ser avaliadas. O desconforto pode ocorrer pelo prurido (coceira) localizado à área do teste, no caso da reação positiva.

Na maioria das vezes é realizado no antebraço após higiene local com algodão e álcool. O resultado é obtido em 15 a 20 minutos e a reação positiva consiste na formação de uma pápula vermelha, semelhante à uma picada de mosquito. Esta reação indica presença anticorpo específico ao alimento testado.

Em algumas situações, o teste cutâneo pode ser substituído pelo exame de sangue ( dosagem de IgE específica ).Entretanto , a presença do anticorpo sozinho não basta para desencadear alergia, é preciso que haja mau funcionamento do sistema imune.

Por exemplo, se eu tenho positivo para peixe, mas estou comendo peixe e não tenho nada, devo continuar comendo para manter essa regulação trabalhando. Se restrinjo o peixe da minha dieta, quando voltar a comer, existe o risco de uma reação anafilática.

Existe tratamento?

Até o momento, não existe um medicamento específico para prevenir ou tratar a alergia alimentar . Uma vez diagnosticada, são utilizados medicamentos específicos para o tratamento dos sintomas (crise) sendo de extrema importância fornecer orientações ao paciente e familiares para que se evite novos contatos com o alimento desencadeante.

E a imunoterapia ?

O tratamento aplicado principalmente em crianças a partir dos 5 anos – idade em que se dá o amadurecimento do sistema imunológico , sendo possível o desenvolvimento de tolerância espontânea – consiste em induzir a imunidade por meio do contato controlado e supervisionado com o alimento que causa a alergia para que o organismo se torne tolerante e não provoque mais reação alérgica .Cerca de 90% dos pacientes alcançam a cura.

Fica a dica .

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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