Na prática médica não é raro ouvir a frase “Sempre comi ou tomei isso e não morri “. A cada orientação sobre alimentação ou uso incorreto de alguma medicação , sempre há um comentário nos meus posts sobre o mesmo lema . Mas eu te pergunto , até onde você arriscaria a vida do seu filho?

Meu professor da faculdade dizia que ” a cada 5 anos , o conhecimento do mundo dobra” e por isso nós devemos sempre continuar estudando . Com a velocidade da internet , talvez o conhecimento dobre a cada 1 ou 2 anos , pois muitas vezes eu sinto que estou sempre um passo atrás . São vacinas , medicações , orientações , tanta coisa nova !

Se um medicamento largamente utilizado , como o descongestionante nasal passa a ser contra indicado , certamente houve alguma complicação. Se a orientação é não utilizar produtos à base de cânfora ( como o Vicky) em alguns casos , é porque alguma criança passou mal.

Assim evolui a medicina . Mas antigos hábitos são difíceis de serem mudados na rotina das mães . Por quê?Por conta das palpiteiras !

Os palpiteiros antigamente eram as avós, as comadres. Aqueles que já tiveram filhos eram os conselheiros e orientadores das mães. Hoje, a gente vê, no mundo digital, as pessoas com acesso muito fácil a informações sobre orientação de saúde dos filhos nas redes sociais.No entanto, as informações disponíveis na rede nem sempre são confiáveis, o que motivou a criação da campanha Mais que um palpite , da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Na internet se busca informações sobre a melhor chupeta, o remédio para tosse, a segurança no bebê, como alimentar um filho, então você tem essa informação muito disponível, e essas informações rapidamente disponíveis nem sempre são providas de qualidade ou estão embasadas em evidências científicas. Eis a questão .

O mito da vacina que faz mal

Fake news é um assunto que acaba afetando bastante o campo da vacina e leva sites de movimentos antivacina se propagarem e ganharem muitos seguidores na web.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2016, 53% das crianças e adolescentes do país estavam com a carteira de vacinação desatualizada, o que levou a pasta a promover uma campanha de multivacinação no ano passado.

Embora 94% deles classifiquem a vacinação como uma forma de proteção muito importante, persistem mitos sobre as doses de reforço, a segurança das vacinas e a própria necessidade da imunização. Pelo menos 30% dos pais estão convencidos, por exemplo, de que higiene e cuidados pessoais seriam o suficiente para prevenir essas doenças.

Chega de palpite !

Pare por um instante e tente fazer as contas: desde que o seu filho nasceu, quantos palpites você já ouviu? Essa é uma realidade que especialmente as mães e os pais de primeira viagem conhecem bem. O problema é que, por mais que sejam feitos com boas intenções, nem sempre esses comentários trazem informações corretas e muitas vezes podem até oferece riscos.

Um risco comum é a automedicação de bebês ou recém nascidos , são inúmeros xaropes ou inalações que as palpiteiras de plantão tem para repassar a uma mãe de primeira viagem desesperada. Mas a dose adequada nestes casos é muito próxima da dose tóxica , pois as medicações são dadas pelo peso do bebê , por isso muito cuidado.

Atenção nas notícias da internet : verifique sempre fontes confiáveis e evite blogs e canais de YouTube que oferecem alívio rápido e imediato para aquela tosse ou dor . Com criança não se brinca ! O remédio do filho da vizinha pode fazer mal a sua filha e vice e versa.

Nas mãos erradas , remédio vira veneno.Não arrisque a vida do seu filho pelo palpite de alguém.

Ninguém é dono da verdade

Ninguém é dono da verdade , isso é fato .Mas cada post que você lê aqui no Blog é feito após uma análise e estudos sobre o assunto . Caso veja uma opinião ou opção de tratamento diferente , eu irei analisar e reescrever se necessário.

Afinal , este é o motivo do Blog , sempre estudar e correr atrás das mudanças que ocorrem no mundo , esclarecendo e orientando mães , que assim como eu , querem saber um pouco a mais .

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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