Você já recebeu uma mensagem no grupo sobre quadrinhos que ensinam as crianças a se enforcarem? Eu já e com certeza você também irá receber.

Isso é um grande problema , pois o avanço entre os boatos no WhatsApp é muito rápido . O compartilhamentos mensagens entre os grupos de pessoas ocorre numa velocidade maior quando o assunto é uma doença ou outra desgraça qualquer . Até doação de dinheiro ou ajuda para o banco de sangue tá valendo repassar , geralmente no intuito de informar apenas…

… mas será saudável transmitir um boato / uma fake news? Afinal , na maioria das vezes a gente ” só repassa” e não fica nem sabendo da onde veio e nem com certeza não checa se a informação é verdadeira ou não . Confesso que me transformei numa verdadeira patrulheira nas redes sociais , desmentindo qualquer tipo de boato e virando uma grande chata quando o assunto é falso.

Devemos refletir no quanto pânico isso pode levar . Temos um exemplo recente , como a falta de vacina para febre amarela em São Paulo. A vacina realmente ficou em falta em várias clínicas particulares , mas depois da onda de pânico generalizado que acometeu a cidade , até sobrou.O boato foi sobre a transmissão da doença , surto em áreas que não havia morte , macaco sendo morto , criança que pegou e muita morte noticiada sem nenhum respaldo das agências de saúde .

Vejo com muitas ressalvas sobre esse novo meio de boato , o WhatsApp de grupo de mães. Um casal quase foi linchado porque uma mãe achou que o rapaz era um o sequestrador de crianças que ela havia recebido no grupo . A polícia teve que intervir para salvar o casal que ficou trancado no carro.Exagero? Infelizmente não é.

Alguns anos atrás foi a Baleia Azul. A onda de boatos foi tão grande que até reunião em escola sobre o assunto foi solicitada.

Na ânsia para ajudar a combater o tão falado jogo de adolescentes , muita gente compartilhou alguma história pelas redes sociais , sem checar a veracidade dos fatos.

Especialistas orientam que para evitar pânico desnecessário, o melhor é não repassar a informação se você não confirmou que ela é verdadeira.

Confirme se uma história é real ou boato buscando notícias na imprensa ou na internet.Os grandes veículos de comunicação têm o jornalista que faz uma pesquisa, pega informações com delegados. São fontes mais confiáveis do que a gravação de áudio ou mensagem que você recebeu no Whatsapp da mãe que está em não sei qual colégio, que você não tem a menor ideia de quem é. Ou da pessoa que repassou a mensagem de que a balinha está envenenada na escola.

Criança sequestrada no Paraná , balinha ,novo tipo de droga oferecida na saída escola , quadrinhos que ensinam a se enforcar dão ibope e são repetidas sem parar. Nosso dever como pais é não repassar e refletir sobre o nosso comportamento . Somos exemplos para os futuros cidadãos que formamos em casa e também responsáveis por possíveis transtornos que causamos com esse boato compartilhado.

Com tanta informação disponível devemos fazer o uso racional delas. Como mães , devemos proteger o nosso grupo e os nosso filhos dessas mentiras da rede. E se a sua família ou o seu filho cair em um boato ? E se ele for acusado ou tiver a foto exposta como um abusador? Quanto tempo você levaria para provar inocência ou para voltar a ter uma vida normal?

As pessoas estão com pouco ‘desconfiômetro’ se a notícia é falsa ou não. Não só no Whatsapp, no Facebook também. As pessoas recebem aquilo e não param para pensar, por dois minutos que seja, ‘será que isso é verdade? Qual é a fonte disso?’ Elas não verificam a fonte das informações.

Sou chata? Com certeza . Irei continuar patrulhando e desmentindo? Com certeza . Mas espero ter o apoio e formar , e informar, novas mães e talvez até outras patrulheiras. Devemos por um fim nisso.

Na era da boataria, muitas pessoas pensam que as redes sociais são as maiores aliadas de quem espalha informação falsa. Na realidade, a maior aliada dos boateiros é a falta de inteligência de quem lê, não interpreta o conteúdo e compartilha.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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