A bebida alcoólica está presente em nossa cultura, seja para festejar um aniversário ou a vitória no futebol. A cervejinha ou caipirinha estão sempre ali no churrasco do feriado, na casa da maioria das famílias. E é justamente aí que se encontra o problema, dizem os especialistas.

Aquela velha história de “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” não serve mais. De nada vai adiantar também o argumento “eu bebo porque sou adulto“, principalmente se o filho for adolescente que, em geral, adora um desafio acompanhado da pergunta “se você faz, por que eu não posso?“. Quando percebe que os pais não sabem explicar os motivos de não ingerir álcool, pode entender que, apesar do discurso, eles mesmos não enxergam a bebida como ruim. Por isso, beber longe delas é a recomendação dos especialistas.

Pesquisa feita no ano passado revelou que 29% dos pais acreditam que não há problema em beber perto dos filhos, desde que não seja algo recorrente. Por outro lado, 51% afirmaram já ter se embriagado na frente das crianças.

Na mesma pesquisa , foi analisado o ponto de vista das crianças entrevistadas, de 11 e 12 anos, e o álcool foi avaliado como um “açúcar para adultos“ na visão delas.

Cerca de uma em cada cinco crianças disse sentir vergonha dos pais quando eles estão alcoolizados.

Vivemos em uma cultura que celebra o álcool. E este estudo pode ser um meio de alertar os pais e a todos sobre a importância de prevenir problemas com o álcool antes que eles surjam.

Os pais devem orientar sobre os perigos do álcool

A maioria dos pais sabe que é importante conversar com seus filhos sobre bebida, porém, muitos adiam esse papo. Sugestão dos especialistas: fale com eles por volta dos 9 anos, antes que entrem em contato com o álcool. De acordo com os especialistas, a maioria das pessoas inicia seu contato com o álcool por volta dos 13 anos de idade. Ainda que os pais não acreditem, nessa idade a criança já tem maturidade para saber o que é certo e o que é errado.

Se o pai ou a mãe beber demais e passar mal será preciso assumir para o filho que errou, mostrando que não é aceitável se exceder na bebida.

E se o pai pega o filho bebendo escondido?

Se isso acontecer, é porque o filho já tem alguma informação de que a prática não é aprovada. Não adianta brigar, bater ou repreender com agressividade. O diálogo é a melhor atitude. Pergunte se ele já bebeu antes, o que sentiu ao tomar uma bebida, ou como se comportou se ficou alcoolizado alguma vez. Todas essas questões são importantes para saber a quantas andam as relações entre seu filho e a bebida, para poder orientá-lo de forma mais adequada.

Hábitos familiares podem aumentar a predisposição ao consumo excessivo de álcool , mas beber vez ou outra na frente das crianças não vai levá-las fatalmente ao alcoolismo quando adultas.

Os pais têm a obrigação de ensinar sobre o consumo do álcool e ser exemplo. Devemos usar sempre o bom senso e começar a refletir nos nossos hábitos .

Por que o álcool faz mal ao adolescente ?

A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) faz o alerta : pesquisa revelou que os adolescentes entre 14 e 17 anos – que, pela lei, não deveriam ingerir bebida alcoólica – são responsáveis por 6% de todo o consumo anual de álcool no país.

Esse índice pode até não parecer alto, mas, segundo psiquiatras e neurologistas, qualquer quantidade ingerida nessa faixa etária pode comprometer as funções neurológicas do adolescente, além de antecipar o surgimento de doenças relacionadas ao consumo do álcool, como diabetes, cirrose e insuficiência cardíaca.

Abead orienta que os danos do álcool para o organismo do adolescente são maiores do que para o adulto, porque, até os 21 anos, o cérebro ainda se encontra em processo de amadurecimento. Por causa dessa imaturidade do organismo, as toxinas conseguem modificar as estruturas cerebrais, afetando os neurônios e, consequentemente, a cognição.

Por isso não existe uma “dose mínima segura” para adolescentes.Qualquer quantidade pode desencadear a dependência, em quem já tem propensão, ou provocar um retardo mental, levando a dificuldades de aprendizado, alterações de humor e problemas no trato digestivo, como estômago, intestino.

Fica a dica .

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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