Vida agitada , cansaço , crise financeira … quando chegamos em casa estamos exaustos! Todo mundo em casa , banho , jantar e ufa! Dormir finalmente….

É importante que a criança tenha um tempo para “não fazer nada” e vivenciar o lúdico nas pequenas coisas do dia a dia.É preciso, mesmo que por breves instantes ao longo do dia, parar, demorar-se, sentir o prazer de nada fazer, nada ter que fazer, nada a se cobrar, sem pressa, sem olhar o relógio a cada minuto, sem culpa por estender-se na cama. É preciso dar um tempo a nós mesmos, pois temos o direito, sim, de estar com preguiça vez ou outra.

Nossa sociedade vive cansada, estressada, de mau humor, correndo contra o relógio e com a impressão de que não vai dar tempo de fazer nada do que planejara. Desde crianças, somos levados a valorizar o trabalho, o movimento, o não ficar parado, pois, como diz o ditado, Deus ajuda quem cedo madruga , não é mesmo?

Hoje, as crianças precisam ser as melhores na escola, no condomínio, na família. Este ritmo traz problemas emocionais e perdas significativas na qualidade de vida delas. Esse tipo de conduta tem ligação direta com ansiedade, desatenção, desmotivação e dificuldade em se relacionar.

Nada justifica os esforços exagerados feitos com uma criança para gerar um adulto habilidoso. Respeitar o tempo e as características individuais das crianças é fundamental.

Atolar, literalmente, a criança de atividades não significa que ela irá aprender e muito menos que será um adulto bem sucedido na vida. O futuro da criança é hoje. Bons vínculos afetivos, bom contato com os pais e tempo para brincar são essenciais.

Para os especialistas, o excesso de atividades na agenda das crianças cria ansiedade pela necessidade de tornar o tempo sempre produtivo.Devemos garantir o tempo ao lazer . É muito importante que elas sejam crianças no tempo de serem crianças, que não sejam atarefadas demais, que tenham tempo de brincar e também tempo de não fazer nada.

Nesse sentido, vale mostrar às crianças que o “não fazer nada” não é um problema e que pode ser bom.

“Mas como fazer se preciso trabalhar? ” é a frase que ouço com maior frequência . O que deveria ser reavaliado é: preciso de tudo isso? Necessito trabalhar tanto?

Ora , o trabalho não pode ser justificativa. Sempre haverá um momento de lazer em família, mesmo que somente aos finais de semana. Alguns pais , entretanto , levam seus filhos ao clube e passam o tempo todo no celular ou tomando sol. Vão comer uma pizza , mas se distraem com os amigos e deixam a criança lá no playground…

José Martins Filho escreveu uma série de livros sobre relacionamento pais x filhos , e descreve:

“Infelizmente, sou obrigado, muitas vezes, a dizer que ter um filho é uma das decisões mais sérias que se pode e se deve tomar, e que é melhor não ter um filho do que, tendo-o, não poder acompanhá-lo, acariciá-lo..”

Este parágrafo resume tudo para mim. Foi retirado de uma entrevista do José Martins Filho em 2013 a um jornal.Devemos entender que ao ter um filho , ao desejar ter um filho , adquirimos uma responsabilidade , não de suprir bens materiais , mas de amor.

“…Há, hoje, um movimento, nascido na Inglaterra, que está chegando ao Brasil do “Slow Parents”, ou seja, dos pais pararem de ser apressados, de brincarem com as crianças. De brincar de coisas antigas, jogos, futebol, pular corda, mas não entregar os eletrônicos para os filhos para que eles se divirtam sozinhos. Mas isso é uma questão de conscientização. “

As pessoas querem ficar ricas para dar presentes para os filhos ou querem acompanhá-los em seu crescimento e desenvolvimento?

Slow parenting

No final, o “slow parenting” é uma resposta a como educar os filhos com afeto e presença. E essa forma vai mudar de família para família, já que não há uma receita para uma criação perfeita. O mais importante é refletir, rever padrões e questionar o que realmente importa.

Quem deu vida a essa contramão foi o jornalista britânico Carl Honoré, pai de duas crianças, e autor do livro “Sob Pressão”. Em seu site, ele conta como tudo começou quando o filho de 7 anos recebeu um elogio da professora porque desenhava muito bem e ele logo vislumbrou, como pai, a possibilidade do filho ser um grande pintor. Matriculou o menino em aulas extras de pintura quando a criança disse a ele que queria simplesmente pintar. Foi com esse clique que Carl começou a se dar conta da superlotação das agendas das crianças e das expectativas que colocamos nelas.

Nasceu aí o movimento “Pais sem pressa”: fazer as coisas no tempo certo, sem querer antecipar nada. Isso é possível simplesmente respeitando o básico, ou seja, a natureza da criança e seu tempo. Precisa dizer mais? Deixa brincar, deixa imaginar, deixa sonhar. Livre. Para aprender a fazer escolhas e ter a possibilidade de aprender nas descobertas. Sem queimar etapas do jogo.

Os mandamentos

•Ouvidos atentos: escutar é fundamental para uma relação de confiança.

•Miniadulto: crianças não precisam cumprir diversas atividades e sentir o peso de agendas sobrecarregadas.

•Tempo livre: deixe tempo para a criança brincar. A falta deste espaço, somado à alta carga de cobrança, gera ansiedade e sintomas físicos.

•Descanso: são nestes momentos que a mente se expande a livres pensamentos, desenvolvendo a criatividade e diminuindo a ansiedade.

•Ócio familiar: a família toda precisa entrar no clima slow. Deixar a agenda livre faz bem a todos. Crianças de até cinco anos devem aprender de forma livre, sem agendas estruturadas.

•Novos amigos: é importante deixar a criança se relacionar com outras crianças. O círculo social dos filhos precisa ser maior do que apenas o círculo familiar.

Vamos apertar do modo slow. Nenhum presente compra o amor do seu filho.Nenhum presente substitui um carinho , uma conversa.Se a semana foi corrida , compense no final de semana , sem muito luxo , só um passatempo entre pais e filhos….

É assim que conseguiremos, mesmo cansados, ao fim do dia, todos os dias, abraçar quem caminha ali ao nosso lado, com ternura renovada e sincera, porque então ainda nos restarão forças para cultivar o amor que deverá sempre nos guiar a vida.

Fica a dica.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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