Não é raro atender crianças obesas e ao fazer um check-up descobrir altos níveis de colesterol. E infelizmente , não é raro que algumas delas necessitem de uso de medicação para o controle.

A dislipidemia , ou aumento de gordura no sangue , pode ocorrer por herança genética, a chamada hipercolesterolemia familiar ou por erro de alimentação .Mas o que isso interessa para um blog de saúde infantil? Muita coisa!

Nós pediatras não estamos habituados a tratar de colesterol, pois geralmente isso só aflinge a população adulta….mas não é verdade. A falta de atividade física , o uso de alimentos industrializados e a baixa ingestão de frutas e verduras passaram a ocorrer em crianças cada vez menores e por isso não é raro ver um pré adolescente fazendo uso de medicação de gente grande.

Atualmente, os consensos nacionais e internacionais sugerem que a primeira dosagem de colesterol na infância seja feita em toda a criança entre 9 e 11 anos. Em crianças obesas, com diabetes, assim como naquelas com histórico familiar de doença cardiovascular precoce (antes dos 50 anos), se recomenda que os exames de colesterol sejam feitos a partir dos 2 anos de idade.

Quando se trata de colesterol alto, a idade não importa – ele pode dar as caras em qualquer faixa etária. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia , 20% das crianças e adolescentes entre 2 e 19 anos apresentam níveis elevados de colesterol no sangue, sendo que 8% têm altos valores de LDL e 45% contam com baixas taxas de HDL.

O que fazer para reduzir o colesterol?

Sim, o primeiro passo é garantir que cardápio seja equilibrado– isto é, rico em frutas, verduras, legumes, cereais integrais.Infelizmente adquirir novos hábitos alimentares não é tarefa fácil , porque deve-se alterar a alimentação de TODA a família .

Nós temos hoje um perfil de alimentação da criança e do adolescente muito ruim, com excesso de carboidratos e gorduras saturadas

De acordo com um do Ministério da Saúde , divulgado no dia 21 de agosto de 2015, 60,8% dos meninos e meninas brasileiros com menos de 2 anos de idade comem com frequência biscoitos, bolachas e bolos. Outros 32,3% costumam ingerir refrigerantes e sucos artificiais. São vários os motivos que levam os pais a oferecer este tipo de alimento , mas o principal é o sabor : são feitos para serem irresistíveis e saborosos . Qual criança não irá experimentar?

Por isso , além de equilibrar a dieta , é essencial iniciar uma atividade física .O exercício físico é o principal tratamento para aumentar as taxas de HDL, o colesterol bom e as crianças são feitas para se movimentar ! Atividades recreativas são excelentes formas de interação social , mas o ideal seriam as atividades de ” treino” como natação , futebol , karatê , judô . Neste tipo de atividade o professor estimula a criança a dar o seu máximo , siga até a última gotinha de suor do dia , o que se torna um excelente meio para perder peso e calorias .

E o ovo ? Faz mal para saúde?

Ovo faz mal à saúde? Não.Recentemente, vários estudos científicos têm comprovado os benefícios do consumo regular de ovos, especialmente durante a infância. Alimento de fácil aceitação pelas crianças, saboroso, versátil para variadas receitas, barato e acessível a todos, o ovo é muito recomendado para compor a dieta neste período da vida.

Ele tem proteína de alto valor biológico e, ainda, conta com os seguintes nutrientes: vitamina A (importante para a pele e a visão), vitamina B6 (atua nos músculos e tecidos), vitamina B12 (fortalece o sistema nervoso), ferro (previne doenças como a anemia), cálcio e fósforo (que contribuem à formação dos ossos e dentes).

O ovo deve ser introduzido na dieta da criança a partir dos 6 meses , na forma cozida , com a gema firme. Isso devido à vacinação contra febre amarela , já que a vacina é feita no ovo da galinha e para evitar qualquer risco de alergia a um componente da vacina , introduzimos o ovo na dieta 3 meses antes.

Crianças e adolescentes podem comer ovo até quatro vezes na semana, como prato principal ou ingrediente de outros pratos.

A gema não dever ser mole ou crua. Essa orientação é importantíssima devido ao risco de infecções intestinais, provocadas pela bactéria Salmonella , presente na casca do ovo. Estão liberadas outras preparações como o ovo frito, cozido, mexido, pochê e omelete.

Não lave o ovo antes de armazenar na geladeira! Isso retira a película protetora e aumenta a permeabilidade da casca , aumentando a contaminação do ovo. A lavagem poderá ser realizada somente antes do preparo imediato do alimento.

Para quem está com colesterol alto , reduza o consumo na forma de preparação frita ou omelete , utilizando o ovo cozido .

Trocas alimentares que reduzem colesterol

1- pão francês por integral

2- óleo por azeite

3- leite integral por desnatado

4 – salgadinhos por castanhas

5- carne vermelha por peixes e frango

6- embutidos ( mortadela , salame , presunto ) por queijo branco nos lanches

7- manteiga por margarina

8- sucos artificiais por suco de uva integral

9-chocolate ao leite por chocolate amargo

10- sal por temperos naturais ( manjericão , orégano , tomilho …)

Siga dica e faça o acompanhamento com um cardiologista Infantil.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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