Nos últimos cinco anos, a incidência de suicidio entre jovens de 12 a 25 anos teve um salto de quase 40%. No mundo, o suicídio acomete mais de 800 mil pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É a segunda causa de morte no planeta entre jovens de 15 a 29 anos.

Tristeza, isolamento e irritabilidade podem ser sinais para que os pais percebam se há algo errado.  Os jovens são mais suscetíveis tanto por aspectos biológicos quanto pelos novos desafios impostos nessa fase da vida.

O suicídio na juventude intriga médicos, pais e professores : por que tanto sofrimento num período da vida associado a descobertas, alegrias e amizades ?

O suicídio é um processo final de um sofrimento existencial, é o desespero extremo de uma pessoa que não conseguiu dar vazão a esse sofrimento.

Por quê ?

Quem tem adolescente em casa sabe: eles são os mais inclinados ao imediatismo e à impulsividade. Como ainda não atingiram a plena maturidade emocional, têm mais dificuldade para lidar com situações estressantes e frustrações – o que torna os pensamentos suicidas mais frequentes. Na maioria das vezes, porém, eles são passageiros.

No entanto, pensamentos dessa natureza mais intensos e prolongados, associados a um quadro de crise aguda, podem aumentar o risco de um jovem ir às vias de fato. Entre as principais causas de crises que poderiam desencadear o suicídio entre jovens estão baixa autoestima, histórico de abusos (incluindo aí o bullying), problemas para lidar com a própria sexualidade e reflexos da superproteção dos pais .

O cérebro do jovem não está completamente maduro e sem uma sistema de ” freios” e guisais pela impulsividade , o suicido pode ser uma solução mais rápida de terminar ou resolver um problema ou uma angústia.

Uma educação rigorosa e falta de um bom relacionamento familiar também podem favorecer .No Japão , país de educação mais rigorosa e relações familiares mais distantes , o suicidio é a primeira causa de morte entre os adolescentes :

Reportagem BBC 01/09/2015

O que fazer?

Muitas escolas têm discutido o assunto , procurando formas de orientar alunos que podem às vezes não ter o apoio em casa e estar sofrendo de situações de ansiedade ou pressão intensa .

Seria o método rigoroso de educação e de obtenção de resultados ? A necessidade de ser ” o melhor ” ou ” o mais apto”? Esta é umas das questões associadas também ao suicido entre estudantes de medicina , motivo de muito debate no ano passado.

O jovem desde cedo é cobrado para cursar uma faculdade excelente , ter um trabalho com muito retorno financeiro e assim ter sucesso na vida . Mas muitas vezes esse não é e nunca foi o seu real desejo.

Seria a forma de criação ? Crianças “terceirizadas” , criadas sem estrutura ou laços familiares afetivos , compensadas com bens materiais e baixa nível de frustração também é uma das hipóteses. Muitos adolescentes não sabem lidar e não tem apoio para muitas situações corriqueiras do dia a dia .

O adolescente deve ser acolhido, receber proteção e apoio, e não repreensão por demonstrar seus sentimentos. É preciso respeitar a dor do outro. Muitas vezes, podemos achar a motivação banal ou desimportante, mas cada um sente e se angustia com as coisas de forma particular.

Olha o exemplo deste caso ocorrido no ano passado:

Seria o bullying? Tema frequente de debate na escola , afeta um grande número de adolescentes . O acesso às mídias sociais têm influência sobre isso ? Com certeza , pois afinal é muito fácil postar algo ou fazer uma crítica atrás de uma tela , sem lidar com as consequências diretas do seu comportamento , não é mesmo?

Muitas pessoas que se matam dão previamente sinais verbais ou não verbais de sua intenção para amigos ou pessoas próximas. O suicido não é uma ideia súbita e de excecução rápida . É um processo longo , uma ideia persistente , que apresenta sinais evidentes de comportamento .

O papel de cada um

A escola tem um papel preventivo fundamental. Muitos especialistas concordam que deveriam existir mais disciplinas que desenvolvam habilidades socioemocionais . Os currículos de hoje são focados na memorização e na competição : seja o melhor e passe na melhor faculdade .

Falta estrutura familiar ? Com certeza ! Converse , participe da vida social do seu filho , conheça seus amigos , deixe sempre a porta aberta para o adolescente conversar com você , sem julgamentos . Vida familiar , sem pressa e com atenção .

Fica a dica.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

um comentário

  1. O tema merece ser estudado, ainda, neste anos estreia o filme o filme”, sobre jovem músico gaucho que recebeu ajuda na web para se suicidar, sendo o primeiro caso de suicidio transmitido pela internete, FILME: https://gauchazh.clicrbs.com.br/…/trailer-de-yonlu-o-filme-sobre-jovem-musico-que-r…Trailer de “Yonlu.

    Um levantamento inédito do Ministério da Saúde revela que o Estado tem o maior índice de suicídios entre homens no país – 16,6 casos para cada grupo de 100 mil – e que Porto Alegre é a quinta Capital em episódios.

    Psiquiatras consultados por Zero Hora alertam para que famílias permaneçam atentas aos sinais emitidos pelos filhos e acompanhem suas navegações pela rede mundial de computadores.

    Conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as taxas de suicídio variam de 25 mortes por 100 mil habitantes nos países do Leste Europeu e Japão até menos de 10 mortes por 100 mil habitantes na Espanha, Itália, Irlanda, Egito e Holanda.

    As causas, via de regra, têm base sociológica ou patológica.

    – No campo sociológico, a ausência de perspectivas, o desemprego, a violência na sociedade moderna são fatores que impulsionam as mortes por suicídio entre adolescentes – analisa Silzá Tramontina, psiquiatra da Criança e do Adolescente no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

    Se aspectos sociológicos incrementam os índices de suicídio, são doenças como transtorno bipolar e depressão que mais oferecem riscos aos adolescentes. Neste contexto, todo cuidado é pouco durante a navegação pela Internet.

    Autor do livro Tentativa de Suicídio – Um Prisma para a Compreensão da Adolescência, o psiquiatra Enio Resmini faz um alerta:

    – Na Internet tu acabas muitas vezes te relacionando com pessoas que têm a mesma identidade, e muitas vezes são pessoas doentes que também buscam a rede como forma de se aliviar.

    Para o chefe do Setor de Psiquiatria do Hospital de Pronto Socorro, Jair Segal, se o jovem estiver doente os pais podem relativizar a sua liberdade na Internet.

    – Se a pessoa estiver doente, os pais devem reforçar a atenção daquilo que é acessado no computador. Não devem ter pruridos – opina Segal.

    A preocupação é tamanha que o Ministério da Saúde promoverá no Estado, dias 17 e 18, um seminário sobre o tema.

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