A ansiedade é um dos distúrbios psicológicos mais comuns na infância , atrás somente do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade e de conduta .

Cerca de 10% das crianças sofre de algum transtorno ansioso, e cinco em cada dez passarão por algum episódio depressivo por causa dela.

E para os especialistas esse número tende a aumentar, por causa da rotina atribulada e cheia de cobranças da vida moderna. É fato que há um componente genético que torna algumas crianças mais sensíveis que outras. Mas o ambiente e a criação têm um peso igual ou mais importante.

A maioria dos medos e ansiedades infantis são normais . Às vezes decorrentes do processo de aprendizagem e é comum que desapareçam naturalmente. Você se lembra de quando aprendeu a andar de bicicleta ou de quando amarrou o tênis pela primeira vez?

Quando a ansiedade vira doença

Todo mundo já passou por algum momento de ansiedade : medo de falar em público , de ir para escola pela primeira vez , sair sem os pais … as crianças sofrem muito , mas quando deixa de ser normal , uma adaptação e passa a ser necessária uma intervenção? A ansiedade pode até atrapalhar o desenvolvimento, mas o problema é quando altera o dia a dia. A criança não consegue ir para a escola ou deixa de participar de festinhas ou ir na casa dos amigos .Esse é o fator que delimita a ansiedade normal da doença.

Por isso, cabe aos pais ficarem atentos: se os sintomas passam a atrapalhar a qualidade de vida da criança, se são persistentes (prolongando-se por dois ou três meses) e se alteram o comportamento dela. Outro alerta é quando ela passa a ter dificuldades no ambiente a que está acostumada: como problemas em lidar com outras crianças na escola ou piora do relacionamento em casa.

Uma criança com um membro da família que tem um transtorno de ansiedade tem uma chance maior de desenvolver um também. Isso pode estar relacionado a genes que podem afetar a química do cérebro e regulação dos neurotransmissores.

Alguns fatos que acontecem na vida de uma criança também podem propiciar para quadros de ansiedade . Exemplos: Perda (como a morte de um ente querido ou separação dos pais) e transições importantes da vida (como se mudar para uma nova cidade) são gatilhos comuns.

Transtorno de Ansiedade de Separação:

As crianças podem ficar assustadas quando têm de se separar dos pais – geralmente quando começam a freqüentar a escola. É normal que crianças pequenas tenham medo de ficar com um desconhecido, mas elas conseguem adaptar-se facilmente. A criança com ansiedade de separação, contudo, tem dificuldade para se adaptar.

Crianças com transtorno de ansiedade de separação podem:

• Recusar-se a ir à escola

• Chamar muitas vezes os pais para irem para casa para não ficarem sem a presença deles

• Chorar e se apegar a um professor

• Negar-se a ir sozinho para a cama à noite

• Imaginar que algo ruim poderá acontecer com os pais

• Queixar-se de sintomas físicos antes, durante e após a separação

No transtorno de ansiedade da separação, os adultos têm um papel determinante. Com aparecimento precoce, ele é caracterizado pela dificuldade da criança em ficar sozinha e se adaptar na escola, incompatível com o seu nível de desenvolvimento. Os sintomas, que acometem principalmente crianças na faixa dos 6 a 8 anos, caracterizam-se por preocupações excessivas quanto aos perigos que envolvem os pais ou a si próprio, relutância em estar desacompanhado deles e a dificuldade em adormecer ou dormir fora.

Transtorno de Ansiedade Social (ou Fobia Social):

Uma criança com transtorno de ansiedade social experimenta muita preocupação e temor ao interagir com outras pessoas e fica ansiosa quando é (ou pensa que é) o centro das atenções. Essa criança tem um forte medo de se sentir constrangida e de que outras pessoas pensem mal dela.

Crianças com transtorno de ansiedade social podem evitar diversas circunstâncias, dentre elas:

• Conversar com colegas ou adultos

• Ir a eventos sociais como festas de aniversário

• Falar ao telefone

• Fazer apresentações em público

Fobias específicas:

Crianças com fobias específicas têm medo excessivo de certas situações ou objetos. Seu medo é mais forte do que o perigo real representado por eles. Elas se esforçam para evitar o contato com o que temem.

Situações específicas:

• pontes, transportes (andar de carro, voar em aviões), espaços fechados (elevadores, túneis)

• Ambientes: lugares escuros, tempestades, alturas, água

• Animais: cães, aranhas, cobras, insetos (besouros, abelhas)

• Fobias ligadas à saúde: injeções, agulhas, hospitais, consultórios odontológicos, vômito, asfixia

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG):

Crianças com TAG apresentam preocupações freqüentes e difíceis de controlar com relação a diferentes aspectos da vida. Elas estão a todo o tempo imaginando possíveis perigos (“E se não der certo? E se eu não for capaz? E se acontecer isto? E se acontecer aquilo?”) E precisam de reafirmação constante (“Você tem certeza de que minha lição de casa está certa?”) São comumente descritas como inseguras e perfeccionistas.

Elas tendem a se preocupar com muitas coisas, tais como:

• Desempenho escolar

• Fazer as coisas com perfeição

• Opinião das pessoas a respeito delas

• Catástrofes mundiais (desastres, doenças, guerras, fenômenos climáticos)

• Preocupam -se com o estado de saúde dos pais com frequência

E é comum para as crianças a evitar falar sobre como se sentem, porque eles estão preocupados que os outros (especialmente seus pais) podem não entender. Eles podem ter medo de serem julgados ou considerados fracos, com medo, ou “infantil”. E, embora as meninas são mais propensos a manifestar a sua ansiedade, meninos experimentam esses sentimentos também, e por vezes sentem dificuldade para falar.

Como ajudar seu filho?

Apoie em vez de julgar ou reprimir

Se seu filho demonstrar algum sinal de que está sofrendo de transtorno de ansiedade, o primeiro passo para ajudá-lo a lidar com a questão é manter as portas do seu relacionamento com ele bem abertas. Assim, nada de ridicularizar suas preocupações, aumentar a cobrança em relação à escola ou punir a criança pela dificuldade de concentração.

Tratamentos de choque para lidar com o medo também não são recomendados. Até mesmo a demonstração exagerada de preocupação por parte dos pais pode levar a criança a se fechar. No lugar disso, portanto, é importante que os pais se mantenham tranquilos e ajam de modo a mostrar ao filho que há um espaço seguro no relacionamento para que ele expresse suas angústias e aprenda, por meio do diálogo com os adultos, a lidar com elas.

Pesquise os motivos por trás da ansiedade

Não é incomum que a ansiedade infantil seja uma reação a situações temporárias de estresse — como a chegada de um novo irmãozinho, a separação dos pais, a perda de um ente querido ou a mudança de cidade ou escola. Nesses casos, fica mais fácil para os pais direcionar esforços, mostrando ao filho como enfrentar aquele desafio específico, sempre por meio de incentivos que estimulem a autoconfiança da criança.

Problemas um pouco mais complexos e que, por isso, podem requerer mais cuidado por parte dos adultos são o bullying, situações de abuso e violência no entorno da criança, além da ansiedade dos próprios pais. Todas essas ocorrências devem ser abordadas por meio da busca de informações e, se necessário, do apoio de um profissional.

Treine a paciência com pequenas esperas

É essencial buscar descobrir as razões por trás da ansiedade do seu filho. Contudo, independentemente disso, também é possível exercitar sua paciência para ajudá-lo a ficar mais tranquilo em situações de nervosismo ou apenas de espera.

Dessa forma, mostre ao pequeno como ele pode se distrair com uma revista, um livro ou um brinquedo na sala de espera do médico, por exemplo. Frise a necessidade de aguardar com calma para que a comida fique pronta e também o ensine a esperar sua vez para falar e ser ouvido. Esse é um aprendizado lento, mas que deve começar desde cedo!

Respeite as limitações da criança

Essa dica é talvez uma das mais difíceis de serem seguidas pelos pais, já que eles geralmente também têm que lidar com a própria ansiedade no momento em que a criança faz uma birra ou não entende por que precisa esperar pelos convidados para partir o bolo de aniversário, por exemplo. Além de requerer uma dose extra de boa vontade para não ceder às estratégias do filho para conseguir o que quer, também é preciso que os pais diferenciem situações de pura pirraça daquelas em que há motivos reais para estresse.

Nesses momentos, entender que a maneira com que as crianças lidam com o tempo é diferente da nossa costuma ajudar. Por isso, às vezes precisamos simplesmente aceitar suas limitações. Uma criança cansada ou com fome, por exemplo, dificilmente ficará calma enquanto espera para se deitar ou comer. Da mesma forma, às vezes é melhor não compartilhar com o filho planos para um futuro que ele ainda não consegue enxergar. Farão uma viagem meses para frente? Espere para dar a notícia aos poucos, evitando que a criança fique ansiosa com muita antecedência.

Fica a dica!

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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