O uso do celular, do computador e do tablet entre as crianças tem se tornado um hábito comum. Apesar de especialistas recomendarem o uso de aparelhos apenas após os dois anos de idade e, no máximo, duas horas por dia, o que se vê é o contrário.

É comum ver crianças em celulares e tablets na recepção do consultório , na mesa de um restaurante e até na escola . Os atrativos estão além dos joguinhos : os vídeos do Youtube tem feito a cabeça das crianças .A facilidade de acesso e o vasto conteúdo tem se tornado uma grande preocupação para os pais e especialistas, pois grande parte dos conteúdos que são classificados como infantil possuem versões impróprias para crianças.

Mais de 400 horas de conteúdo são carregadas a cada minuto no Youtube por usuários de várias parte do mundo. O Brasil é o segundo pais que mais assiste vídeos da plataforma, ficando atrás apenas do Estados Unidos.

Perigo oculto

Devemos estar sempre atentos ao que as crianças estão assistindo. Uma pesquisa conduzida pela BBC apontou que o Youtube Kids, voltado para fornecer conteúdo para crianças não é um ambiente tão seguro como se pensava: há uma série de vídeos com conteúdos controversos e/ou violentos que driblam os filtros e são erroneamente classificados como adequados para os pequenos.

Os vídeos imitam shows infantis (há versões piratas hardcore de Frozen, da franquia Minions e Peppa Ping) ou possuem uma estética de desenho para se passar por programas para crianças ( os primeiros minutos dos vídeos são aparentemente inócuos), e dessa forma são catalogados como conteúdo do app Kids.O que acontece é que o filtro do YouTube Kids é automático: sem um humano por trás para verificar o que está sendo aprovado como conteúdo adequado para crianças, o algoritmo se deixa enganar pelas tramoias desses canais e libera vídeos com conteúdos gráficos bem fortes, totalmente inadequados para crianças como vídeos inofensivos.

Youtubers

Quem não ouviu falar da Júlia Silva ou do Felipe Neto?Os youtubers se diferenciam das celebridades tradicionais exatamente pela relação próxima que constroem com os fãs. Ao conversar com a audiência olhando diretamente para a câmera e mostrar fatos cotidianos de suas vidas, cria-se uma atmosfera de cumplicidade, como se os produtos de conteúdos fossem amigos próximos. Exatamente por essa crença de serem “gente como a gente”, podem impactar o público de uma maneira muito mais profunda, autêntica e pessoal.

São eles os novos formadores de opinião. Mas quais são os valores que eles estão passando para seus seguidores?

Às vezes esses influenciadores digitais podem servir de mau exemplo para crianças e jovens. Youtubers famosos já se envolveram em polêmicas por terem feito comentários preconceituosos, publicado conteúdo inadequado ou por mau comportamento em geral. Além desses episódios controversos, o próprio conteúdo de canais famosos muitas vezes é considerado nocivo para crianças e adolescentes por pais e especialistas. Vídeos que estimulam o consumismo, que contém palavrões ou que promovem inversão de valores são os principais alvos das críticas.

Os pequenos são apresentados a uma enxurrada de inversão de valores. O que os pais lutam para construir dentro de casa e na escola, muitas vezes, o Youtube consegue acabar em alguns minutos

Antes de existir YouTube, as crianças e jovens já estavam expostos a maus exemplos em geral, na televisão, em filmes e novelas. No passado, as casas tinham apenas uma televisão, normalmente controlada pelos pais ou pelos adultos da casa. O consumo do conteúdo televisivo estava na mão de uma pessoa que iria verificar se era adequado ou não para quem estava assistindo.Agora, o conteúdo audiovisual é acessado em diferentes telas de diferentes dispositivos e isso quebra um pouco a possibilidade de controle dos pais.

De quem é a culpa?

Os pais precisam estar atentos aos canais que a criança está assistindo, observando se os conteúdos estão de acordo com os princípios da família. Nunca devem deixar de acompanhar o que a criança está vendo e ouvindo na internet. É nossa obrigação.

Não há legislação sobre os vídeos do YouTube . Ao contrário da programação da televisão , o conteúdo não passa sob a análise de especialistas e não há filtro ou avisos sobre a classificação etária do produto a ser exibido.

A tecnologia precisa ser aliada, como uma ferramenta que venha mediar um conhecimento final e não um vilão que afasta as crianças da realidade e invertendo os valores humanos. Da mesma forma , proibir o uso não resolve o problema.Precisamos desenvolver uma cidadania digital, ou seja, um uso responsável, ético e consciente das redes sociais e da tecnologia.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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