Quando inicio a alimentação complementar dos bebês , a partir dos 6 meses de idade , sempre vem seguida da pergunta : ” já posso dar o danoninho?” . O pétit suisse é muito usado no Brasil , como uma sobremesa . Substituto de frutas e iogurtes , agrada as mães ( pela praticidade) e bebês ( pelo sabor doce). Mas será que vale por um bifinho?

O petit suisse não é um tipo de iogurte, como a maioria das mães pensam. Trata-se, na verdade, de um queijo rico em gordura, adicionado de um concentrado de frutas, vitaminas, minerais e conservantes. Muitas mães cresceram consumindo o produto e, por isso, mantêm o hábito de oferecê-lo aos filhos.

Um queijo fresco, não maturado, obtido pela coagulação do leite desnatado com coalho ou enzimas e bactérias sendo fermentado, pasteurizado e tem uma alta concentração de leite de vaca. Pode ainda haver acréscimo de condimentos, como frutas. O processo de fabricação desse queijo proporciona uma consistência mais densa, alta umidade, maior teor de proteínas (mínimo de 6%) e cálcio.

Apesar de ser uma fonte de cálcio e proteínas , uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Direitos do Consumidor, revelou que ele tem muito mais corantes e muito mais açúcar do que se imagina, e ao contrário do que anunciam, não tem a quantidade de vitaminas e ferro citadas.

Uma sobremesa ou uma guloseima?

Geralmente servido como sobremesa logo após o almoço ou jantar , ele diminui a absorção de ferro.O Petit suisse é rico em cálcio e no organismo, esse micronutriente compete com o ferro na absorção intestinal.

É importante ressaltar que esse mecanismo não ocorre somente com o Petit suisse, mas com qualquer sobremesa láctea, ocorrendo em qualquer organismo e idade. O ideal é manter um intervalo de 2 horas entre a ingestão de alimentos ricos em ferro e cálcio, principalmente entre carne e leites e derivados.

Com a adição tão grande de açúcar, os Petit suisse não são sobremesas e sim guloseimas! Um bebê que toma um petit suisse ingere cerca de 40% da sua necessidade de açúcar por potinho. Além de ser um alimento muito calórico , o produto é pouco nutritivo. O iogurte com frutas seria uma opção muito mais saudável.

Além de calórico , a guloseima tem uma grande parte de gorduras na composição , o que pode levar além da obesidade e aumento de colesterol se for consumido em excesso.

E o iogurte grego?

De cara, o alimento é reconhecido pela cremosidade. Para isso, são adicionados ingredientes como creme de leite, leite integral e gelatina. Apesar de delicioso, passa a somar muitas calorias.

Iogurte faz muito bem para as crianças por vários motivos: ele é rico em proteínas, ajuda no crescimento e desenvolvimento, é uma boa fonte de cálcio e contribui para o bom funcionamento do intestino e contém probióticos. Pode ser oferecido a crianças a partir dos 6 meses de idade , mas nunca após as refeições ( almoço e jantar).

O iogurte natural é o mais indicado e uma forma de deixá-lo mais gostoso é misturando com aveia e frutas como morango, banana, manga, abacate.Se tiver a necessidade de adoçar, utilize um pouco de mel, açúcar refinado ou mascavo. Lembrando que para as crianças de até um ano não utilizamos mel.

Existem muitas formas de servir! São várias receitas para fazer com o iogurte e frutas, algumas como smothies e frozen que podem ser, além de gostosas, também muito mais nutritivas do que um Petit Suisse para os lanchinhos e cafés da manhã das crianças.

Fica a dica.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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