Nós, médicos, lidamos com o sofrimento humano dia após dia, ano após ano. Sofrimento, sofrimento, sofrimento. Médico sofre também? Médico também tem doenças físicas, angústia, depressão, também se suicida? Infelizmente sim.

A classe médica possui 1 indivíduo a cada 4 com sintomas de depressão e devido à facilidade de drogas e conhecimento de outros métodos letais , somos a população que mais comete suicídio. Por quê?

A alta incidência de angústia e suas consequências entre médicos já podem ser percebidas naqueles que estão iniciando a escola médica, pela constatação de índices elevados de suicídio e uso abusivo de álcool e drogas. Muitos estudos relacionam tal angústia principalmente com a necessidade de assimilação de uma grande quantidade de informação, associada à ausência de tempo para atividades pessoais .As principais fontes de estresse encontradas são: a quantidade de matéria, de provas e notas, e a ausência de tempo para lazer, família e amigos.

Mesmo num país como os Estados Unidos, a cada ano entre 300 a 400 médicos se suicidam. Um médico por dia se mata naquele país. E por aqui a incidência não é tão diferente.

Médico reclama do quê se ganha bem?

A visão do paciente sobre o médico bem sucedido , com dinheiro e sempre viajando para congressos nem sempre é verdadeira. Vivemos num mundo de cobranças , principalmente as nossas cobranças .

Na medicina , devido às constantes mudanças de técnicas e tratamentos das doenças , decorrente a novos achados científicos, associado a pressão dos pacientes e familiares , nosso tempo de lazer fica reduzido . O dia a dia com atendimento de doenças complicadas ou terminais, plantões cansativos, planos de saúde pagando mal , falta de equipamentos , trazem muitas vezes o sentimento de ” matar um leão por dia”.

Com a tecnologia ,telefonemas , mensagens por email e celular que pacientes e seus parentes fazem constantemente ao médico pedindo mais orientação, consultas de emergência em qualquer hora e dia, a necessidade de atenção imediata por doenças comuns e raramente graves , gera muitas vezes um esgotamento mental e problemas com a família. A nossa família. Falta tempo para todos …

Precisamos estar em tantos lugares e estar atentos a todos que não há lei da física que permita explicar isso. Pacientes se queixam do tratamento desumano que recebem do médico , mas ultimamente , em nosso trabalho sofremos muito pelo desrespeito: “paguei a consulta para isso?” , ” tenho convênio e você tem a obrigação de me atender ” , ” passei pelo PS e o médico gastou só uns minutos na minha consulta” …

Por isso há uma evasão de colegas dos plantões , principalmente de Pediatria e a saída de muitos profissionais dos planos de saúde.

E os casos de agressão? Matéria frequente no jornal , e nas redes sociais …

Como enfrentar o problema?

Vivemos tentando salvar vidas, tirar pessoas da dor física, da dor emocional, restaurar a saúde dos outros, e isto custa muito estudo, estágios, cursos, congressos, leitura, seminários, atualizações. O médico precisa de ajuda também. E para melhorar a nossa qualidade de vida , devemos colocar limites para excesso de trabalho ( isso inclui desligar o WhatsApp à noite ) , abrir nosso coração com alguém preparado para ajudar, desenvolver a espiritualidade, mudar conceitos de felicidade e entender que não somos super-heróis , por isso temos limites, com dores, angústia e tristeza, como todo ser humano.

Caro colega , procure ajuda . Não seja auto suficiente e nunca use medicação por conta própria . Faça terapia , desligue o celular e curta a sua família . Na nossa profissão , repouso e férias são uma missão quase impossível , mas extremamente necessárias . Para lidar com vidas , precisamos estar com a nossa por inteiro. Só assim podemos realiza-se a profissão com amor.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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