Quando discutimos sobre bullying, muita gente ainda torce o nariz , com argumentos como “na minha época, todo mundo fazia e sofria bullying, e ninguém teve maiores problemas por isso”. Esta visão simplista, contudo, apresenta dois problemas básicos : primeiro, a crença de que não houve efeitos adversos a médio e longo prazo. Segundo ,porque o próprio conceito de bullying pode estar mal-compreendido.

Uma criança que leva uma faca ao colégio para matar ou assustar um amigo , não deve estar pedindo ajuda?Então , eu te pergunto : será mesmo coisa de criança? Será que os pais não devem se preocupar com o que se passava cabecinha dos seus filhos ?

Bullying é o comportamento agressivo e indesejado entre crianças em idade escolar, manifestado com o desequilíbrio de poder (quando a criança usa sua força física, popularidade ou acesso a informações embaraçosas para manipular ou prejudicar outras) e a repetição .

Quem tem filhos na escola com certeza já vivenciou uma história de bullying . Apesar de tanta informação , muitos pais não sabem como e quando agir e sentem pouco respaldo das escolas . Será que estamos realmente preparados ? E a sua escola , tem ações efetivas ou preventivas sobre o tema?

Características do agressor

• Costumam ter idade superior à média de idades do grupo, é frequente terem repetido algum ano escolar.

• Meninos costumam exercer mais a violência física e as meninas a violência verbal.As ações são mais indiretas, com atos de exclusão, invenção de histórias difamatórias, intrigas, fofocas. Por ser mais disfarçado, o bullying entre as meninas pode ser mais difícil de identificar e tratar.

• No que respeita à aparência física, costumam ser os mais fortes e altos da classe.

• Geralmente, o rendimento escolar é baixo, com uma atitude negativa em relação à escola.

• Demonstram um alto nível de agressividade e de ansiedade e acatam mal as normas;

• Manipuladores , sabem convencer pais e professores de que suas atitudes na verdade , foram de defesa e não de agressão

• Nas suas relações sociais, o autocontrolo é escasso, podendo dar lugar a manifestações de conduta agressiva, impositiva, de teimosia e de indisciplina.

• Família desestruturada , de pouco convívio social e pais ausentes. Materialismo e pouco afeto

Características da vítima

crianças tímidas e com extremos de peso ( obeso ou magro) , com marcas de nascença , uso de óculos por exemplo.

• comportamento introvertido e menor número de amigos , gosta de ficar longe das atividades esportivas ou ser foco de atenção

• bom relacionamento familiar. Família presente , mas que demora a saber do caso . A criança tem medo de falar sobre o assunto , pois a pressão psicológica do agressor é grande.

• depressão , isolamento social , queixas frequentes de dores ( cabeça e barriga) . Evitam ir para a escola.

O que fazer quando meu filho sofre bullying?

Quando os nossos filhos são vítimas de bullying , nos sentimos zangados, magoados, culpados e desesperados em busca de uma solução imediata. As nossas memórias da infância e sentimentos influenciam quando o bullying acontece e podem atrapalhar na solução do problema.É importante pensar antes de reagir. Esteja preparado para ser honesto e dizer ao seu filho que não sabe como resolver o problema, mas que vão encontrar uma solução em conjunto.

Quando o seu filho não corre risco de agressão física, está sofrendo apenas bullying verbal e você sente que a autoestima dele não está sendo comprometida, talvez seja interessante, num primeiro momento , observar o comportamento do grupo.Quando seu filho se queixar , nunca diga que isso é ” coisa de criança ” ou “ deixar para lá”. Sempre que o seu filho comunicar ou reclamar de alguém , valorize a queixa , mostre que você se importa e irá ajudá-lo na questão.

Converse muito com seu filho e mostre que não há nada de errado com ele. Tente construir autoconfiança no seu filho e ajudar na autoestima. Incentive seu filho a fazer amizades e convide seus amigos para irem à sua casa ou fazer programas juntos. Um bom círculo de amizades previne que novos episódios aconteçam e melhora a auto estima da criança.

Não faça nada precipitadamente. Ajudar não significar ir brigar na escola !Reúna o máximo de informações possíveis – quando, onde, quem – alerte a escola converse com a professora e orientadora. Mantenha a calma e peça uma avaliação . Aguarde a posição da escola.

Agora, se você percebe um problema maior, esteja preparado para intervir. Se ocorrer bullying físico, ainda que moderado, ou você perceber que seu filho tem apresentado oscilações de humor ou de comportamento, tome uma atitude imediatamente!

Devo falar com os pais do agressor?

A não ser em casos muito particulares, você não deve falar com os pais da criança que está fazendo bullying com seu filho. Deixe que a escola intervenha, notificando esses pais e exigindo sua presença na escola. Você não sabe que tipo de pais vai encontrar e com frequência , a atitude deles será de defesa do filho .

Nunca aborde diretamente a criança, a não ser que você presencie o bullying e precise intervir. Lembre-se de que a criança que pratica bullying necessita de cuidados e atenção, pois o seu comportamento agressivo pode ser um reflexo do tratamento que ela recebe em casa. Quem precisa ser orientado são os pais .

Meu filho é bully

É quando meu filho é o agressor? Lembre-se de que um comportamento agressivo , ou seja , punir ou castigar a criança poderá exacerbar a violência e agressividade . Uma boa conversa séria o primeiro passo. Ouça e reflita . Não julgue causa e consequência , mas sim se os fatos se repetem. Será mesmo sempre culpa das outras crianças?

• Converse na escola . Não vá pronto para a defesa da criança . Observe e reflita suas ações . A maioria das vezes a criança está querendo chamar a sua atenção . Será que você está convivendo ou participando da vida dele ?

• Seu filho pratica esportes? A prática esportiva ajuda a canalizar a agressividade e melhora a sociabilidade , principalmente nos esportes coletivos .

• Chame os amigos para brincar e casa e veja como eles reagem nas brincadeiras . Converse com os pais dos amigos e mantenha um bom canal de comunicação na escola.

Fica a dica!

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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