O refluxo gastroesofágico ocorre quando o alimento retorna do estômago ao esôfago, logo após as refeições, quando o alimento ainda não foi digerido. Costuma ser mais frequente à noite, porque a criança está na posição horizontal e saliva menos.

Cerca de 70 % dos bebês até 6 meses tem um certo grau de refluxo . A “golfada” após as mamadas piora entre 4 a 6 meses e melhora naturalmente até 1 ano de idade. Medidas posturais , como evitar deitar logo após a mamada , são orientações comuns e resolvem grande parte dos sintomas. Somente 15% dos casos são tratados com medicações .

Medidas posturais

No caso do refluxo comum, para diminuir o desconforto do seu filho , você pode deixar seu bebê em posição vertical ao amamentar e fracionar as mamadas para não exagerar na quantidade de leite. Quando terminar de amamentar e depois de fazê-lo arrotar, mantenha-o de 20 a 30 minutos em pé, para que o leite desça, se acomode no estômago e facilite a digestão.

Na hora de dormir, coloque seu filho mais na vertical e de barriga para cima. A elevação da cabeça com um travesseiro é recomendada.

Existem no mercado uma série de dispositivos para refluxo , principalmente para evitar o refluxo noturno

Quando tratar?

O problema pode acometer pessoas de qualquer idade, mas é recorrente em recém-nascidos ,principalmente nos prematuros . Nessa fase da vida, o sistema digestivo ainda é imaturo e a dieta , baseada integralmente em leite , facilita o vai e vem entre estômago e esôfago.

Não somente considerado normal, o refluxo pode ser interpretado como um mecanismo de defesa do organismo da criança a eventuais exageros durante a mamada.

Assim, se o seu filho regurgitar o leite algumas vezes não significa que ele tem refluxo. Um regurgito (ou alguns, espaçados), não são sinais suficientes. Nos casos de refluxo patológico ( doença ) , há muita dor e irritabilidade . Existe recusa de alimentos, regurgitação frequente e um ganho de peso baixo do que esperado o que leva a necessidade de iniciar o tratamento medicamentoso.

Tem exame?

O diagnóstico é feito com base na história clínica do bebê . Fazemos a chamada prova terapêutica : inicia-se a medicação e observamos se há ou não melhora dos sintomas. Em caso de melhora , está definido o diagnóstico.

Em alguns casos são realizados exames complementares , sendo o exame ideal a phmetria. Pouco utilizado , pois apresenta uma grande dificuldade técnica : uma sonda do nariz até o estômago mantida por 24 hs em um bebê não é tarefa fácil.

A cintilografia é o exame mais comum para diagnóstico .O exame que utiliza uma pequena quantidade de material radioativo (traçador) para avaliar presença de refluxo clinicamente significativo do estômago para o esôfago. Esse material radioativo é misturado ao alimento trazido pelo paciente, não provocando qualquer reação adversa, não sendo prejudicial à saúde e oferecendo mínima exposição à radiação.

Uma pequena quantidade de material radioativo será misturada com uma porção do leite/suco e fornecida ao paciente.Em seguida ela deverá ingerir o restante do conteúdo da mamadeira. É importante que o paciente tome todo o alimento para que estômago fique cheio, aumentando a sensibilidade do método. Imediatamente após, o paciente será encaminhado à sala de exame e posicionado na maca do aparelho cintilográfico. Para que seja possível realizar o exame, o paciente será colocado na maca do equipamento, sendo contida pelo próprio acompanhante. A duração da aquisição das imagens é de 20 minutos.

Em casos de estudo do tempo de esvaziamento gástrico (de acordo com solicitação médica), novas imagens (5 a 8) serão adquiridas, em pequenos intervalos, durante 1 hora.

Quando há solicitação de pesquisa de aspiração pulmonar, a criança deverá retornar à clínica 4 a 6 horas após para a aquisição de imagens do tórax. Este método serve para avaliar se o traçador ingerido, na presença de refluxo, chega a alcançar os pulmões, configurando a aspiração pulmonar do material.

Tratamento

O tratamento inicial será a troca do leite , por um espessado , como as fórmulas AR ( anti refluxo ). Nas crianças em aleitamento materno , não está indicado a troca do leite por fórmulas ou a uso de complemento .

Além das medidas posturais , o uso de domperidona ou bromoprida ( substâncias chamadas pró- cinéticos) é comum. Protetores gástricos como omeprazol e ranitidina provocam alívio da dor e a diminuição da irritabilidade .

Se o tratamento não responder de forma adequada , a cirurgia antirrefluxo se faz necessária. O que determina o tratamento, no entanto, é a gravidade dos sintomas, independentemente da idade do paciente.

O perigo de não tratar uma DRGE é que ela pode evoluir para problemas mais sérios, com consequências inclusive para a vida adulta. Entre as complicações estão estenose de esôfago (estreitamento do esôfago, que impede a progressão normal de saliva e/ou alimentos), hemorragia digestiva e anemia grave.

Agora, se o seu pânico em relação ao refluxo de seu filho é o risco de ele vomitar e se sufocar, acalme-se. A chance de isso acontecer é pequena.A criança tem esse mecanismos de defesa ( como tossir ) para impedir que o conteúdo do estômago vá para o pulmão. Pode acontecer de ela sufocar? Sim , mas são situações raras. Normalmente, isso ocorre com aquelas que apresentam também algum problema neurológico ou a prematuridade , por exemplo.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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