A grande maioria dos médicos tem calafrios ao ouvir essa pergunta. Hoje, a ciência considera a vacina como um dos maiores avanços na história da saúde.  Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2 a 3 milhões de vidas são salvas anualmente com a vacinação.

No entanto, a cobertura vacinal no país está em queda. Números do Programa Nacional de Imunização mostram que o governo tem tido cada vez mais dificuldade em bater a meta de vacinar a maior parte da população . Em 2017 o país registrou a pior taxa de imunização dos últimos doze anos : 84% contra meta de 95%, recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O que os especialistas mais temem é que a redução de pessoas vacinadas crie grupos de indivíduos suscetíveis a doenças antigas e controladas no país. Em um grupo como esse, a presença de apenas uma pessoa infectada poderia causar um surto de grandes proporções.

Por que os pais não vacinam seus filhos ?

Há basicamente três motivações por detrás da recusa em vacinar os filhos. A primeira, religiosa (“Deus deve decidir se meu filho adoece ou não”). A segunda busca evitar a “artificialidade” da vacina (mesmo que ela seja produzida com base em um agente da natureza, como fragmentos de vírus e bactérias). A terceira, por fim, questiona o lobby da indústria farmacêutica e teme supostas reações adversas, em um leque que vai do autismo à narcolepsia.

Nos Estados Unidos e na Europa o movimento antivacina é relativamente forte – muito porque a vacinação é feita em clínicas privadas e fica a cargo dos pais, o que de certa forma retira da equação os agentes de saúde e seu trabalho de conscientização. Nos Estados Unidos, por exemplo, quase todos os estados liberam crianças das vacinas por motivos religiosos.

No Brasil a vacinação nas crianças é obrigatória . São 27 tipos de vacinas disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde e caso uma criança não seja vacinada , os pais podem responder ao Conselho Tutelar por negligência .

Pessoas de estratos econômicos mais elevados, alimentadas por informações não científicas, acabam selecionando quais vacinas querem tomar e alguns até abdicam de tomar todas. Por outro lado, você tem dificuldade nos grupos mais pobres, uma dificuldade de acesso aos serviços de saúde.

Os grupos antivacinas no Brasil são impulsionados por meio de páginas temáticas no Facebook que divulgam, sem base científica, supostos efeitos colaterais das vacinas. O jornal Estadão encontrou no Facebook cinco deles, reunindo mais de 13,2 mil pessoas. Nesses espaços, os pais compartilham notícias publicadas em blogs, a maioria de outros países e em inglês, sobre as supostas reações às vacinas – por exemplo, relacionando-as ao autismo.

Os pais também trocam informações para não serem denunciados, como não informar aos pediatras sobre a decisão de não vacinar os filhos, e estratégias que eles acreditam que garantiram imunização das crianças de forma alternativa, como a homeopatia .

Mitos e verdades

Faz mal ?

Vacina é um remédio. E, como qualquer outro, pode apresentar contraindicações e efeitos colaterais. Na maioria dos casos, alérgicos a um componente do medicamento ou pacientes imunossuprimidos (caso de quem enfrenta câncer ou tem AIDS) não podem receber injeção. Mas e quanto a indivíduos com a saúde em dia?

Algumas vacinas têm efeito colateral, sim, como febre ou dores. Mas, a nível de saúde pública, não há justificativa para deixar de vacinar uma criança. Isso pode causar surtos e infecções de doenças já erradicadas e que estão presentes em outros países.

Já que o meu filho só fica em casa , eu posso deixar a vacinação para mais tarde.

Não .É importante saber também que os calendários de vacinação baseiam-se em estudos que mostram as idades em que os bebês passam a estar mais suscetíveis a determinadas doenças. Um exemplo é a vacina que protege do sarampo: ela só é indicada após 1 ano de vida, porque até essa idade os bebês ficam protegidos pelos anticorpos maternos. O mesmo não acontece, por exemplo, com doenças como poliomielite, difteria, coqueluche, meningites e pneumonias. Por essa razão tais vacinas devem ser aplicadas o mais precocemente possível.

Vale destacar que o fato de a criança não ir à escola não reduz a zero o risco de adoecimento, pois os pais, avós, tios, babá, irmãos mais velhos, primos, entre outros, carregam na garganta vírus e bactérias que podem ser transmitidos, mesmo que eles não estejam doentes.

A amamentação não protege o meu filho?

Não de forma ampla e prolongada. A amamentação pode oferecer proteção direta por meio da transferência de anticorpos através do leite materno (desde que a mãe os tenha). Entretanto, essa proteção é temporária e limitada. Como nos primeiros meses de vida o organismo do bebê já tem condições de responder aos estímulos das vacinas, produzindo anticorpos específicos contra diversas doenças, é de fundamental importância vacinar.

A vacina pode causar doenças ?

Não.Esse é um dos argumentos do movimento antivacina, rechaçado, porém, por especialistas. A explicação seria que, muitas vezes, o jovem apresenta sintomas de uma doença não identificada, que os pais associam como reação à vacina. Ou seja, fazemos relações de causa e efeito em situações que, não necessariamente, estão relacionadas.

Há quem fale que depois da vacina contra gripe você pega gripe. Mas a gente sabe que isso não faz sentido, porque a vacina tem um vírus morto.

Obrigar a criança a levar uma série de vacinas consecutivas não sobrecarrega o sistema imunológico?

Não .Os bebês desenvolvem a capacidade de responder a antígenos estranhos ao organismo antes mesmo do nascimento.

Estimando-se a quantidade de vacinas às quais uma criança seria capaz de responder em determinado momento, calcula-se, de um ponto de vista teórico, que esse número seria de aproximadamente 10 mil. Se 11 vacinas fossem aplicadas simultaneamente, somente 0,1% do sistema imune seria utilizado.

Vacinar pode levar ao autismo?

Não .Essa notícia foi dada após um estudo fraudulento feito por um médico , já desmentido por uma dezena de especialistas .

Há mercúrio nas vacinas .

Verdade , mas o mercúrio está presente em pequenas doses para evitar a proliferação de fungos e bactérias e outros micro-organismos . A Organização Mundial de Saúde recomenda o uso por considerar o mercúrio seguro e não cumulativo , já que ele é liberado rapidamente após aplicação da vacina.

Não precisa tomar vacina para doenças menos graves .

Não.Deixar de aplicar a vacina da catapora ou caxumba por considerá-las doenças de menor gravidade é errado. As duas doenças podem causar complicações irreversíveis e com sequelas graves.

Vacinar é um ato de amor ao seu filho e a comunidade. Os especialistas ressaltam que a decisão dos pais por não vacinar seus filhos não é individual, já que ela impacta toda a sociedade ao redor.

Quando uma mãe ou pai assume que não vai vacinar sua criança – e isso é um direito deles – eles não estão colocando em risco só a vida do filho, mas de outras crianças também, de toda uma população.

Fica a dica.

Anúncios

Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s