O estigma do ‘gordinho preguiçoso’ infelizmente ainda faz parte do senso comum. No universo infantil, tantas críticas podem atrapalhar o desenvolvimento físico e psíquico das crianças.

A obesidade infantil vai além das doenças decorrentes do elevado ganho de peso . Hipertensão , aumento de colesterol e pressão alta são doenças associadas a obesidade e já conhecidas por todos . Mas e quanto o aspecto psicológico ? É sabido que os gordinhos sofrem mais bullying e dificuldade de aceitação do seu corpo , frente uma sociedade escrava de padrões de beleza muitas vezes inatingíveis . Estrias , manchas na pele ( micoses e escurecimento de pele) , celulite também fazem parte do pacote de quem está acima do peso .

Então a culpa é de quem ? Da mãe que não tomou nenhuma medida ? Do pediatra que receitou fórmulas e vitaminas desnecessárias? Do pai que não dá bom exemplo de alimentação? Da escola que não oferece opções saudáveis? Da televisão que favorece o sedentarismo e o consumo de produtos industrializados?

A culpa dos pais

A obesidade é uma combinação de vários processos, como genética, alterações metabólicas e meio ambiente (tanto por influência da sociedade quanto da família), e não apenas de maus hábitos alimentares.

Embora os pais não sejam exclusivamente os culpados pela obesidade dos filhos, a solução do problema depende deles . A criança só deixará de ser obesa se a família tomar certas medidas o quanto antes. Não adianta o pai comer coxinha e oferecer fruta para o filho. A mudança deve ocorrer para toda família .

Pais obesos possuem uma maior dificuldade em aceitar o diagnóstico e realizar mudanças dos hábitos , segundo os especialistas.

A educação é fundamental, não só da criança como da família. Bons hábitos devem ser adquiridos principalmente nos primeiros dez anos de vida, os pais são os principais responsáveis e exemplos nesse momento. Não basta ensinar, tem que viver junto com os filhos uma vida mais saudável.Os pais não devem oferecer alimentos como compensação por suas ausências e falhas. A alimentação não deve ser moeda de troca e nem prêmio.

Mas doutora , a avó dele faz tudo que ele quer!

Os avós têm um papel fundamental. Os avós são do tempo em que não havia tanto produto industrializado e o doce era o mimo do dia da festinha de aniversário . Mas as avós logo transformaram este carinho num bolo ou num chocolate , para todos os dias. Porque… “coitadinho do menino”.

Eu peço aos avós, por favor, que transformem todo este amor em abraços e beijos . Que vão com eles ao parque brincar, ver o pôr do sol, dar uma voltinha no quarteirão . Que os ensinem a cozinhar coisas saudáveis : fazer pão, salada de frutas. E que percebam que, hoje em dia, o maior inimigo dos seus netos é o açúcar.

Filho obeso : maus tratos?

Alguns pais ficarão chocados, mas em alguns países existem casos de pais julgados por maus tratos devido da obesidade da criança .Alguns especialistas concordam com o fato da criança obesa ser vítima de maus tratos devido aos riscos à saúde, física e psicológica ,impostos pelo excesso de peso . No entanto , não há legislação no Brasil sobre o assunto , mas em alguns casos extremos pode ser acionado o Conselho Tutelar .

A obesidade entre crianças e adolescentes é tão evidente que esta geração poderá ser a primeira na história a ter vida mais curta que a de seus pais.

Culpa do Estado?

Será mesmo que os pais são os grandes culpados pelo estado nutricional dos filhos? No Brasil 33% das crianças estão acima do peso porque seus pais são permissivos? Não seria prudente e relevante considerar também questões importantes como, por exemplo, a quantidade de publicidade a que estas crianças são expostas que os induzem a um consumo de guloseimas associado a recompensas, a status, a bem-estar e felicidade? E a falta de informação sobre a qualidade referente aos hábitos alimentares e nutrição na rotina familiar?

São vários fatores que vem contribuindo para o aumento da prevalência da obesidade infantil no Brasil. Devido à violência , as crianças ficam mais em casa, mais horas de tela ( televisão, videogame, computador), brincam menos na rua por motivo de segurança, andam menos a pé, portanto estão mais sedentárias e gastando menos energia.

A alimentação está rica em produtos mais processados, pobres em fibras, alto teor de gordura e carboidratos, maior valor calórico, maior oferta e opções no supermercado. As rotinas mudaram com a dificuldade de auxiliares domésticas e a mulher no mercado de trabalho, a falta de tempo para preparar alimentos saudáveis.

A culpa é de quem? Reflita . Previna . Atue. É a saúde do seu filho em jogo .

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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