Um nariz entupido incomoda … muito! Não dá para respirar , atrapalha o sono , para comer e não tem posição que alivie.Quando são as crianças , pior ainda : é choro , reclamação , birra e pais desesperados.

O nariz funciona como um filtro do ar. A cada respiração ele reduz o número de partículas que iriam para o pulmão. Ele retém poeira , bactérias , pó e quando alguma coisa aparece de errado , pumba ! Ele fica irritado.

O nariz incha , começa a produzir secreção e por isso a passagem do ar fica pequena , dando a sensação de falta de ar . Precisamos respirar com mais força para entrar um fluxo de ar satisfatório.

Os descongestionantes nasais , com critério e sob orientação médica , com por prazo determinado (cinco dias, no máximo), proporcionam alívio imediato, porque contêm substâncias vasoconstritoras (nafazolina, fenoxazolina, oximetatazolina, fenilefrina, pseudoefredina) em sua fórmula. Resultado: os vasos contraem, o fluxo de sangue diminui, o edema da mucosa regride, a produção de muco baixa e as pessoas voltam a respirar normalmente.

Mas o seu uso é proibido em crianças !

Olha a carinha dos vilões . O Neosoro possui um produto com o mesmo nome , mas a base somente de soro fisiológico , o que confunde muitas mães ( e até médicos ) que fazem o uso de forma errada. Certa vez atendi uma criança na sala de emergência devido ao uso de descongestionante : a mãe achou que era tudo igual e fez uso do Neosoro conforme o pediatra orientou , usando meio conta gotas em cada narina . A superdosagem do descongestionante nasal quase provocou uma parada cardíaca , sendo a criança encaminhada para UTI, pois a mãe usou a formulação adulto , que continha nafazolina.

A ação dos descongestionantes nasais não se restringe ao alívio do nariz entupido.

Seu uso contínuo faz com que parte da substância vasoconstritora que entra na composição do medicamento seja absorvida pela mucosa, caia na corrente sanguínea e alcance o sistema cardiovascular, o que pode representar uma sobrecarga para o coração. Arritmias cardíaca , taquicardia , aumento da pressão arterial , tonturas e dor de cabeça são alguns dos sinais do efeito colateral dessas drogas em ógãos distantes.

Vale também lembrar que muitos comprimidos indicados para alívio dos sintomas das gripes e resfriados possuem substâncias vasoconstritoras em sua fórmula que podem potencializar os efeitos indesejáveis da droga, incluindo a perda do olfato .

Há também o famoso efeito rebote : o uso do descongestionante nasal provoca uma melhora imediata , mas depois o nariz volta a entupir , pois foi tratado somente o sintomas e não a causa. Com o uso contínuo o nariz torna-se ” viciado” , diminuindo progressivamente, o intervalo entre as aplicações a ponto de precisar ter sempre à mão um frasco do medicamento para poder respirar melhor.  Esse grau de dependência resulta num distúrbio chamado rinite medicamentosa ou vasomotora, cujo principal sintoma é o nariz entupido provocado por alterações no nariz que leva à perda da capacidade de contrair e dilatar os vasos sem “as gotinhas milagrosas”.

O ideal é a velha e boa lavagem nasal com soro fisiológico 0,9% que pode ser realizada de diversas formas , pois existem jatos suaves e moderados .

O aspirador nasal também pode ser uma alternativa ao uso de medicação.Mas um hábito de algumas mães de irem até o hospital para realizar a limpeza com sucção , definitivamente , não é recomendado.

Fica a dica.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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