Visto pelos colegas de escola como uma criança solitária e observado pelos adultos à sua volta com um ligeiro ar de pena, o filho único era sinônimo de garoto mimado, egoísta e, por vezes, antissocial.

“E o próximo, é para quando?” “Tadinho, você não vai dar um irmãozinho para ele?”

Frequentemente disparadas em direção aos pais de filhos únicos, as inconvenientes perguntas acima não estão nem perto de modificar uma tendência: as famílias brasileiras estão cada vez menores.

Se na década de 40 ela abrigava 6 filhos e 40 anos depois esse número caiu para 4, a média hoje fica entre 1 e 2 crianças por família. No Sul, as famílias são menores ainda: segundo o Censo de 2010 do IBGE, nos domicílios com renda per capita acima de 5 salários mínimos, a taxa de fecundidade das mulheres no Sul é de apenas 0,96. Quanto mais alta a renda familiar e a graduação das mulheres, menos filhos elas têm.

Quanto maior poder aquisitivo, maior o número de casais que escolhem por ter apenas um filho pensando em satisfazer as necessidades da criança. A idéia é colocá-lo em uma boa escola e um bom plano de saúde, que estão cada vez mais caros, além de aulas extras como natação e inglês. Soma-se isto a opção da mulher a ter um filho mais tarde para priorizar a profissão.

Nós pais, na hora de tomar essa decisão ficamos divididos em várias questões e detalhes, além de claro muitas preocupações por queremos sempre dar e proporcionar o melhor aos nossos filhos. Mas aí a questão que bate é, será que poder dar tudo do bom e do melhor, mas ser criado sozinho é um bom negócio?Ou será que dividir o conforto, mas ter um irmão parceiro, companheiro de vida e de jornada vale mais a pena? Essa é uma dúvida constante entre os casais que já possuem um filho único, ainda mais para aqueles que o filho nem pede um irmão.

Vantagens

Sem dúvida, um filho único tem grandes vantagens. Se tiverem uma boa educação, terão uma condição privilegiada para amadurecer e crescer de forma saudável.

• Os filhos únicos recebem mais atenção dos seu pais. Eles não precisam dividir o seu tempo e as suas preocupações entre vários filhos e, portanto, realizam melhor o seu trabalho. Essa atenção especial transmite uma maior autoestima e autoconfiança para as crianças.

• Elas se desenvolvem intelectualmente, desenvolvem a fala e o pensamento mais rápido do que as outras crianças. Como convivem basicamente com adultos nos seus primeiros anos, adotam o comportamento dos pais.

• Quase sempre são crianças mais metódicas e responsáveis. Como não convivem com outras crianças, se espelham nos pais. Normalmente são crianças aplicadas e suas coisas estão sempre bem organizadas.

Elas sabem como se adaptar à solidão e desenvolvem passatempos que exigem um trabalho intelectual. A solidão só é um aspecto negativo quando isso significa falta de apoio ou compreensão. Mas ela também tem o seu lado positivo: as crianças são mais independentes e se conhecem melhor. Frequentemente, os filhos únicos desenvolvem interesse pela leitura, pintura ou outras atividades que possam ser realizadas isoladamente.

Filho único sofre?

Apesar do filho único receber dos pais mais dedicação e maior segurança econômica, é uma situação que traz algumas dificuldades. Os irmãos dividem a atenção dos pais e dão origem a algumas rivalidades, mas também proporcionam lições valiosas para o amadurecimento.

• O filho único é geralmente mais egocêntrico. Às vezes, é difícil compreender que cada um tem a sua vez em um jogo e que nem tudo o que ele faz será aplaudido pelos adultos. Por essa razão, pode ser difícil se adaptar aos grupos.

O capricho, a geniosidade e o egoísmo podem aparecer tanto em uma criança que é filha única ou que tenha irmãos. Esse perigo é maior nos filhos únicos porque os pais não têm com quem dividir os excessos. Tudo é para uma única criança. E é esse excesso que prejudica. Mas que fique claro: não é regra que todo filho único vai ser chato, mimado e egocêntrico. Depende sobretudo da educação dos pais.

• Eles amadurecem rapidamente e isso pode ser negativo, porque reduz a sua espontaneidade e os torna infelizes. É difícil para eles permitirem-se “fazer coisas tolas” e, enquanto isso agrada os adultos, as crianças crescem muito rígidas.

• Eles têm dificuldades para serem generosos; acreditam que é normal cada um resolver os seus próprios problemas e necessidades. É difícil compartilharem o que têm, tanto física ou emocionalmente; não “se dão” aos outros com facilidade.

• Os filhos únicos podem se tornar reservados, distantes e inábeis para resolver conflitos com os outros, porque não têm com quem compartilhar as suas experiências em casa. Eles podem ter muita confiança nos seus pais, mas isto não substitui a cumplicidade ou a proximidade de um irmão.

Tanto os filhos únicos como aqueles que têm irmãos  crescerão de uma forma saudável se tiverem bons pais. É importante que os pais compreendam que devem ensiná-los a conviver com as crianças da sua idade.

Pela falta de tempo dos pais devido as suas vidas profissionais corridas vemos cada vez mais “a troca de afeto por bens materiais”, e isso pode parecer compensador no momento, mas gera transtornos muito grandes posteriormente pela falta do que realmente é importante para o crescimento de uma criança, que é a presença, o amor e a atenção dos pais. Colocar limites e regras não é representa sermos pais ruins e, muito menos carrascos como inevitavelmente nos sentimos ao puni-los por algum erro, e sim é estarmos ensinando com amor que a vida não é do jeito que queremos e nem da forma que sempre esperamos.

Fica a dica.

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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