Os distúrbios do sono são comuns nas crianças e se iniciam por volta dos 3 anos . Cerca de 30% das crianças irão desenvolver o terror noturno ou o sonambulismo.

Sonambulismo

A palavra sonambulismo define bem o principal sintoma do transtorno: andar dormindo, quase sempre de olhos abertos, mas vazios, sem expressão. Durante os episódios, a pessoa pode sentar na cama, arrumar as cobertas, andar pela casa, falar sem nexo, mudar de roupa, abrir e fechar portas e janelas, ir ao banheiro.O sonambulismo é transtorno relacionado a uma instabilidade do sono. Por causa dos aspectos maturacionais, o sono tem uma propensão a se tornar mais estável conforme a criança cresce.

Quase sempre, o sonâmbulo repete ações rotineiras, estereotipadas, sem a interferência direta do cérebro, o que pode resultar em acidentes. Ou seja, não é raro a pessoa cair ou ferir-se ou até mesmo abrir portas e janelas.Em geral, os episódios ocorrem uma ou duas horas depois que a pessoa adormeceu, duram de poucos segundos a meia hora e terminam quando ela acorda ou volta para cama para continuar dormindo.

No passado, acreditava-se que sonâmbulos nunca deveriam ser despertados durante a crise, ou que, se alguém lhes pregasse um susto nessa hora, ficariam definitivamente curados. Nada disso é verdade.

Sonâmbulos podem ser acordados. O inconveniente maior é que despertarão meio confusos, sem entender direito o que está acontecendo naquele momento. Assustá-los não trará o menor benefício para o controle do distúrbio. O melhor mesmo é levá-los com calma de volta para a cama a fim de que continuem dormindo.

Uma pesquisa recente revelou que crianças com pais sonâmbulos tem cerca de 7 vezes mais a probabilidade de desenvolver o distúrbio em relação às outras crianças.

Terror noturno

A criança acorda no meio da noite , e grita , apavorada , por algo que não está lá.Fica de olhos abertos em alguns casos , gritando e as vezes até caminha pelo quarto.Ocorre em crianças a partir de 9 meses e vai desaparecendo com a idade . Diferente do pesadelo , a criança continua dormindo durante o episódio do terror e não irá se lembrar de nada no dia seguinte.

Isso acontece devido a um distúrbio do sono , ligado a imaturidade do sistema nervoso.O fator genético não é o único responsável por desencadear episódios de terror noturno e sonambulismo. Outras variáveis, como privação do sono (quando não se dorme o número de horas suficiente), febre (quando a criança apresenta um quadro infeccioso), ruídos excessivos e luminosidade também podem interferir na qualidade do adormecimento, aumentando a probabilidade de ocorrerem eventos. Outro comportamento que pode ser prejudicial é o uso excessivo de telas.

Um dos problemas hoje é que as crianças são muito estimuladas: vão dormir com o celular em mãos, brincam com o tablet e vídeo games .Por isso, o ideal é que o ritual de preparação para o sono comece no mínimo meia hora antes de a criança ir para a cama e que haja horários estabelecidos para ela se deitar e para se levantar.

Como evitar que isso aconteça?

Para evitar episódios de sonambulismo ou terror noturno , a criança deve ter uma rotina de sono e evitar ” estímulos ” na hora de dormir : brincadeiras agitadas , televisão , tablets devem ser deixados de lado 2 horas antes da criança ir para cama. Alimentos açucarados , como a famosa mamadeira com chocolate antes de dormir , ou refrigerantes também devem ser evitados.

O que fazer?

• Não sacudir nem tentar acordar a criança no meio de um episódio de sonambulismo para ela não ficar assustada ou estressada;

• Falar com calma com a criança e levá-la com cuidado para o quarto, esperando que o sono volte ao normal;

• Manter o quarto da criança sem objetos pontiagudos, móveis ou brinquedos em que ela pode tropeçar ou se machucar;

• Deixar fora do alcance da criança objetos cortantes, como facas e tesouras ou produtos de limpeza;

• Evitar que a criança durma na parte de cima do beliche;

• Trancar as portas da casa e retirar as chaves;

• Bloquear o acesso às escadas e colocar telas de proteção nas janelas.

E boa noite!

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

2 comentários

  1. Os seus posts são fantásticos, porém este foi especial para mim, pois meu filho Arthur (6anos) teve uma crise a poucos dias e foi exatamente como descrita por você. Claro, fiquei apavorada e pensando “inumeras besteiras”… Obrigada!!!
    Não pare de compartilhar conosco sias experiências e justificativas, poisfazem um bem enorme!! 😗

    Curtido por 1 pessoa

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