Apesar da epidemia de obesidade infantil, uma das principais queixas das mães nos consultórios pediátricos é de que a criança não come nada, rejeita praticamente tudo, chora e faz birra.

No Brasil, as dificuldades de comer atingem mais de 50% das crianças , principalmente na faixa etária de 2 a 3 anos . Nesta fase , há uma desaceleração do crescimento, provocando uma redução do apetite quando comparado aos 2 primeiros anos de vida .

Além da menor velocidade de crescimento , a partir dos 2 anos a criança passa a impor suas vontades e seus desejos . Surge a “neofobia” , o medo do novo , medo do alimento o qual a criança não está acostumada .E é assim que as crianças vão limitando suas preferências até chegar ao “menu infantil”.

Cabe aos pais expandir esse menu e evitar que se torne mais restritivo : meu filho aceita bem macarrão , então todo dia eu tenho que fazer , caso contrário ele não irá comer.

Você sabe que, no dia do macarrão, a criança come contente, e no dia da lentilha ou do peixe, come menos e fica com uma cara emburrada. Não é preciso brigar, não é preciso insistir, nem prometer, nem distrair, nem enganar, nem meter-lhe a colher na boca. Deixe que coma o que quiser, ou que não coma, se não quiser. Uns dias comerá mais, em outros, menos. Como todo mundo.

O que fazer?

Pequenas atitudes diárias podem auxiliar seu filho a aprender a comer com prazer e na quantidade certa. Veja :

1. Ser mãe é diferente de ser empregada: partir do momento em que ofereceu pelo menos quatro variedades alimentares, nada de se levantar da mesa para preparar algo especial, muito menos no meio da noite. A criança come o que tem na mesa .Não estamos em um restaurante!

2. Assuma o comando : se a criança identificar o seu desespero e ansiedade para que ela coma, usará isso a seu favor. Você é a mãe . Você decide o que ela precisa comer .

3. Sem prêmios : Nada de oferecer recompensas doces cada vez que seu filho come um alimento . Evite associar o doce às refeições . Caso contrário a criança passa a associar comida com prêmio .

4. Sem tablets e celulares a mesa : Não recorra a objetos como tablets, brinquedos, televisão como formas de distração nesse momento. É importante que seu filho aprenda a se alimentar prestando a atenção no que está ingerindo, aprendendo a identificar seu sinal de saciedade.

5. Sem brigas : Nada de forçar ou pressionar seu filho a comer um determinado alimento em que ele se recusa . Não ameace ( vai ficar doente assim ) ou grite (come ou vou enfiar na sua boca ) – esse momento deve ser prazeroso . Se você estiver sem paciência ou nervosa , troque de ligar com o pai ou uma tia .

6. Sem mamadeira : não troque ou ofereça uma mamadeira se o seu filho não comeu . Esse sem dúvida é o meio erro de todas as mães : leite não substitui comida . Mas meu filho vai ficar sem nada ? Não ! Ninguém irá morrer de fome com tanta comida na mesa e no prato – se não comeu , ofereça o mesmo prato em outro horário .

7. Nada de snacks entre as refeições : oferecer pedacinhos de frutas e bolachas só vai diminuir o apetite da criança e ensiná-la a conseguir o que deseja : guloseimas . Comer brigadeiro e bolacha é bom. Não dá para comparar com a abobrinha ou beterraba , não é mesmo ?

Seja paciente . Persista . Essa fase vai passar .

Fica a dica .

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Escrito por Dra Fernanda Naka

Pediatra

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