Como eu fui viajar na pandemia

Este post é uma experiência pessoal e que eu gostaria de compartilhar com vocês . Está longe de ser uma orientação , ao contrário do que eu costumo publicar . Ele relata a minha experiência de viajar durante a pandemia .

Sei , muitas pessoas irão criticar a minha decisão . Mas após 150 dias de quarentena e observando a melhora nos indicadores ( diminuição do número de casos novos e estabilização há algumas semanas ) resolvi que havia chegado a hora .

Escolha do lugar

Li vários artigos sobre viagens durante a pandemia e a opinião é unânime : vá para uma localização próxima e por um curto período de tempo . Assim usei o carro e não fiz nenhuma parada . Levei alguns petiscos e bebidas e só paramos para abastecer . A viagem de avião estava fora de cogitação .

Por isso o local escolhido foi no próprio estado de São Paulo, na cidade de Cesário Lange , cerca de 400 km de distância . Optei por um resort e não por uma casa alugada ou uma pousada .

Primeiro dia

Será que fiz certo ?

Ao chegar , senti um misto de medo e alegria . A medida da temperatura e a presença de álcool gel está em toda parte , assim como as barreiras físicas e máscaras , o que não deixa você esquecer que estamos em uma pandemia . É muito estranho e tenso . No check in recebo uma sacola plástica com o tudo embalado e previamente higienizado . O meu formulário e a caneta que eu vou usar o estão lá dentro . Não há nenhum contato com a funcionária .

Tudo está diferente e tem cheiro de álcool . Mas a alegria está no rosto de todos . Uma sensação de liberdade e de quase normalidade toma conta de você . Mas permaneço firme , não frequentei as áreas comuns da piscina , aonde as pessoas se aglomeravam sem nenhum pudor , com cadeiras lado a lado e reunião de grupos de amigos .

Dei preferência as atividades ao ar livre : caminhada , arco e flecha , pescaria , paintball , arvorismo . Tudo com pouco ou nenhum contato físico ou próximo dos demais hóspedes .

As refeições me deixavam mais apreensiva , pois apesar do distanciamento das mesas , uso de luvas descartáveis e funcionários treinados , a aglomeração era inevitável . Mesas com grandes grupos de amigos , famílias numerosas e muitas crianças deixavam o ar pesado . Procurei horários alternativos com menor movimento , ou muito cedo ou muito tarde .

A alegria das crianças

Sim , fiz por elas . Há tempos venho notando uma falta de interesse , pouco apetite e crises de choro e raiva sem motivo aparente . Tentei de tudo : cozinha , caminhada , atividades e “noites especiais” , mas após tanto tempo , não estavam mais surtindo efeito .

Elas perderam muito com a pandemia , os amigos , a escola , as atividades . Tudo foi substituído por um contato frio através da tela do computador e dos jogos on-line .

Fizemos muitas atividades de lazer , tudo ao ar livre e foi tão delicioso que eu quase esqueci de tudo . Ficar sem máscara também nunca foi tão bom! ( mesmo que dentro de um pedalinho no meio do lago rs).

A pergunta que não cala : podemos viajar?

Houve um aumento de mais de 100% na procura por hotéis no estado de São Paulo no mês de julho . E a procura por aluguéis de temporada e até motor home também seguem essa tendência .

Com a estabilização do número de casos , a flexibilização da quarentena está sendo cada vez mais abrangente , o que me permitiu usufruir de uma viagem antes da abertura para a fase verde . Quando isso acontecer , os hotéis ficarão cheios e o risco será , inevitavelmente maior .

A minha dica é : viajar somente quando você sentir segurança. Abertura de parques, fronteiras, lojas, bares e restaurantes não importarão nada enquanto você não se sentir confiante para viajar. E essa é uma decisão estritamente pessoal! Encarar a primeira viagem pós-quarentena depende de cada um e é preciso entender que cada família deve avaliar a sua própria necessidade. Se você é do time que vai correr para o aeroporto assim que a quarentena acabar, tudo bem! Se você acha que só vai conseguir retomar a viagem depois da vacina, também está tudo certo! O importante é respeitar o seu momento, seja ele quando for, e aceitar quem pensa diferente.

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