E a saúde mental do adolescente na pandemia ?

Não tem jeito . Até ocorrer a vacinação em massa de todos os brasileiros, ficaremos reféns do coronavírus . O isolamento e o distanciamento social , tão necessários neste dias , vêm se tornando um baita problema para mães de adolescentes.

Os adolescentes necessitam de convívio social. É uma fase da vida aonde somos extremamente grupais . E com tudo isso acontecendo no mundo eles se sentem isolados dos amigos e da família, frustrados com a perda de suas atividades escolares.

Os jovens têm sustentado uma carga emocional excessiva , assim como todos nós,  e estão dando sinais de que a corda vai estourar. Casos de depressão aumentaram, queixas de angústia e ansiedade chegam com maior frequência aos consultórios .

Não é raro ouvir relatos sobre alterações de comportamento e todos acabemos que esses momentos de crise podem ser um gatilho para transtornos mentais. Muitos deles se iniciam na adolescência e a metade antes dos 14 anos.Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos psicológicos ocorrem em cerca de 16% em adolescentes com idade entre 10 e 19 anos, sendo a depressão e o suicídio as principais causas de morte nesta faixa etária.

E O QUE OS PAIS PODEM FAZER ?

É importante reconhecer que o seu filho enfrenta um problema. Fechar os olhos pode ser pior : um estudo  publicado no Brazilian Journal of Psychiatry constatou que, de 2006 a 2015, a taxa de casos de adolescentes que tiraram a vida aumentou 13%, em seis cidades brasileiras analisadas pelos pesquisadores. Na pandemia esse número pode ser até maior .

Com a pandemia, muitos adolescentes se viram em uma situação que era o maior dos seus pesadelos: não poder estar com seus amigos e permanecer em casa trancafiados com os pais. O processo de buscar distância emocional dos pais e estabelecer a sua própria identidade continua neste momento, o que ocorre é que a tensão aumenta em função da convivência constante.

Em espaços pequenos, conflitos sobre o volume da música, o uso da televisão, do videogame, da mesa para estudar, sem a possibilidade de encontrar outras pessoas, com pais ansiosos, muitas vezes usando álcool, tem gerado brigas intensas e muitas situações de violência nas famílias. É um caldo de cultura para conflitos familiares e problemas emocionais. 

Este é um momento que exige maior compreensão e paciência de todos. Pais e filhos estão ansiosos, estressados, cansados. E o que podemos fazer ? Primeiro ficar atento a sinais de alterações de comportamento , como choro fácil ou irritabilidade sem motivo aparente , falta de apetite ou sonolência excessiva também são alterações muito comuns .

Sinais de estresse leve são muito frequentes nesse momento e devem ser abordados pelos próprios pais. De forma geral, eles devem reconhecer os sinais de estresse dos filhos, validar o sofrimento e transmitir acolhimento e segurança. Pensar em estratégias que podem diminuir essa angústia são essenciais para preservar a saúde mental dos nosso filhos .

Pensando nisso eu separei algumas dicas bem simples :

1. Não deixe que ele ficar o tempo todo no quarto

Estabelecer o que fazer e os horários de cada tarefa ajuda a ter foco e a dar sentido aos afazeres. Elabore uma programação de atividades cotidianas, como acordar, tomar banho, trocar de roupa, estudar, se alimentar, se exercitar e dormir bem.

2. Aumente os laços familiares

A imposição de uma nova forma de relacionamento pode intensificar os conflitos que antes já existiam. É tempo de baixar as expectativas. Seu filho adolescente não estará trabalhando na mesma frequência ou intensidade do que em um dia de escola comum. Agora é a hora de se estressar um pouco menos sobre lições de casa.

Aproveite para estreitar laços, compartilhe filmes e músicas que gostam. Jogos envolvendo a família toda são excelentes opções para retirá-los da frente dos eletrônicos por alguns momentos.

3. Libere as redes sociais

O canal de comunicação e socialização deve ser mantido por meio das redes sociais. Mas com limite e supervisão. O uso prolongado e próximo da hora de dormir causa insônia, estresse, entre outras alterações mentais e corporais.

4. Muita atividade física

Um estudo da Unicamp publicado em dezembro de 2020 demonstrou que cerca de 71% dos adolescentes mantinham restrição social total , mas apenas 40% realizavam atividade física de 60 minutos por semana .

Caminhe !

Caminhadas são boas opções e não elevam o risco de contágio do novo coronavírus. Mas nada de ficar deitada no sofá e mandá-lo ir para fora : participe. Todo mundo precisa tomar uma vitamina D no solzinho e dar aquela “espairecida” caminhando. Aproveite para colocar o papo em dia e perguntar o que ele acha de tudo isso e seus medos .

Quando os sinais persistem ou quando são de maior gravidade , é um sinal de que uma ajuda de profissionais especializados precisa ser buscada.  Converse com o seu pediatra e busque apoio psicológico.

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