Casos de crianças com atraso de fala aumentam na pandemia

O atraso no desenvolvimento da fala tem se tornando uma queixa frequente no meu consultório. E o problema está na falta de interação pais e filhos .

O desenvolvimento da linguagem começa muito antes de a criança emitir suas primeiras palavras. Com 6 a 9 meses, ela já passa a balbuciar sílabas repetidas – “bababa”, “mamama”.Quando eles choram ou balbuciam e recebem uma resposta carinhosa de um adulto em retorno, eles estão formando e fortalecendo as conexões neurais relacionadas à comunicação e às habilidades sociais. Essas interações são conhecidas como “jogo de ação e reação”, e são essenciais para o desenvolvimento. 

Entre 10 a 12 meses, observamos o aparecimento dos gestos com significado, como dar tchau, esticar os braços quando quer o colo ou apontar para algo que deseja.

Ao redor de 13 a 15 meses, a criança ainda pode não proferir palavras, mas ela já brinca de falar. Emite sons, às vezes sem significado, como se estivesse querendo comunicar algo.

Quando esperamos que uma criança fale palavras? Algumas já ensaiam antes dos 12 meses de idade. O mais comum, no entanto, é que isso ocorra entre 12 e 18 meses e ao redor de 2 anos, o vocabulário tem, em média, entre 50 a 100 palavras.

E QUANDO ISSO NÃO ACONTECEU ?

Se seu filho tem 18 meses e ainda não fala ou se passou dos 2 anos e emite poucas palavras, atenção: alguma coisa pode estar errada. Converse com seu pediatra para procurar ajuda especializada.

É comum escutarmos que cada criança se desenvolve no seu tempo e que depois ela recupera o atraso. Mas é preciso cuidado. Um atraso real não diagnosticado pode gerar outros problemas e a perda de tempo precioso para iniciar um tratamento o mais brevemente possível. Negar o problema é torná-lo mais longo e complicado.

POR QUE O CELULAR É UM VILÃO?

A Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu um alerta sobre o fato de crianças em idades cada vez mais precoce estão tendo acesso aos equipamentos eletrônicos, sempre com o objetivo de fazer com que a criança fique quietinha. E isso aumentou a incidência de casos durante a pandemia .

E qual o problema? Um estudo canadense conclui que a cada meia hora a mais de convívio diário com as telinhas aumenta em 49% o risco de atraso no desenvolvimento da fala.

Chocante não?

Para chegar a essa conclusão, mais de mil pequenos foram avaliados, todos entre seis meses e dois anos de idade. Quando atingiam 1 ano e meio, eles passavam por um checkup — e foi aí que os experts notaram essa associação entre os dispositivos eletrônicos e um retardo na capacidade de se expressar verbalmente.

É importante que os pais se lembrem de que as conversas ouvidas não irão ajudar no desenvolvimento da linguagem do bebê: eles precisam falar diretamente com o bebê,  fazendo contato visual, para permitir o aprendizado do vocabulário.

Infelizmente, isso significa que você provavelmente não deve deixar seu filho assistir a um episódio de Dora Aventureira ou de Bob, o Construtor com muita frequência. Mesmo os vídeos que afirmam ensinar novas palavras ao seu bebê podem, na verdade, prejudicar o seu desenvolvimento. Se você quiser estimular o desenvolvimento da linguagem do seu bebê, ele precisará de interações frequentes face a face.

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